Como Osho observa a meditação

A Meditação é um processo muito simples: tudo o que você precisa encontrar é o botão certo. Os Upanishads chamam este botão certo de “observar”. Isto consiste em apenas observar o processo da sua mente, não fazer nada, pois nada precisa ser feito. Apenas seja um olhador, um observador olhando o tráfego da mente: pensamentos passando, desejos, memórias, sonhos, fantasias.

Simplesmente mantenha-se sereno, observando, sem julgamentos, sem condenações, não dizendo “isto é bom” nem “isto é ruim”, não pegue os seus conceitos morais porque se não você nunca vai ser capaz de meditar.

É por isso que eu sou contra o que se chama de moral: porque é contra a meditação, porque a pessoa chamada moral é tão cheia de juízos de valor, de coisas que deveriam ser e coisas que não deveriam ser , que ela não consegue simplesmente observar, não consegue apenas olhar; pula para conclusões do tipo “isto não é certo”, “isto é certo”, e o que quer que ela decida que é certo se gruda nela.

Por outro lado, o que a pessoa considera errado, quer jogar fora. A pessoa fica pulando entre os pensamentos e começa a lutar com uns, pegar outros e aí perde todo o poder de apenas observar. Observar significa apenas estar na observação, sem envolvimento, sem preconceitos; este é todo o segredo da meditação. É simples! Uma vez que você pegue o truque, torna-se a coisa mais simples do mundo, porque todas as crianças nascem nesta inocência. Você já soube isto no útero da sua mãe, você já soube isto quando era uma criança pequena, então meditar é apenas uma redescoberta.

Meditação não é uma coisa nova, você já veio com ela para o mundo, a mente é que é uma coisa nova. Meditação é sua natureza, é o seu ser em si. Como pode ser difícil? Você só tem que saber o truque: observar.

Sente-se à margem de um rio e observe o rio fluindo. Às vezes passam galhos de árvores, às vezes passa um barco, às vezes pode ter uma linda mulher nadando no rio – apenas olhe, não se envolva, permaneça desidentificado, não fique excitado, não é para você fazer nada, você não tem nada a fazer, é o rio, e o problema é do rio. Você simplesmente se senta em silencio. Sentado em silêncio, aos poucos aprende-se a arte… e um dia, quando o seu observador for total, a mente se evapora.

“Philiosophia Ultima”


A Meditação pode trazer para você a sua verdadeira natureza. Pode ajudar você a largar todas as perversões. Pode fazer você inteligente, amável, espontâneo, responsável, e pode fazer de você uma benção para si mesmo e para a existência.

“Philisophia Ultima “


A qualquer momento você pode ir para dentro e a qualquer momento você pode escorregar para fora. Isto é que é ser um mestre, e o homem que é capaz disto é que é o real conquistador – os outros são apenas escravos.

“I am not as thunk as You Drink I am “


Meditação simplesmente significa sintonizar-se com o não manifesto. O corpo está aqui, você pode vê-lo, a mente está aqui, você pode vê-la também; e se você fechar os olhos, você vai poder ver a mente com toda a sua atividade, com todos os seus mecanismos. Pensamentos passando, desejos surgindo, memórias vindo à superfície, toda a atividade da mente se apresenta e você pode observá-la.

Uma coisa é certa, o observador não é a mente. Aquele que está consciente das atividades da mente não é parte da mente, e o observador é separado, a testemunha é separada. Perceber este observador é chegar ao essencial, ao central, ao absoluto, ao que não muda.

O corpo muda: uma vez você já foi uma criança, depois um jovem, e depois velho… Um dia você já esteve no útero da sua mãe, depois você nasceu, e um dia novamente você morreu e desapareceu no útero da existência. O corpo está mudando o tempo inteiro, continuamente.

A mente está mudando continuamente. De manhã você está feliz, de tarde você está com raiva e de noite você está triste. Humores, emoções e sentimentos mudam, pensamentos mudam. A roda se move em volta de você, isto é o ciclone; o mundo fenomênico é um ciclone. Ele nunca é o mesmo, nem por dois momentos consecutivos. Mas alguma coisa é sempre a mesma… sempre… nunca muda; é o observador.

“I’m Not as thunk as You Drink I am “


DESIDENTIFICAÇÃO

Se um pensamento está se movendo em sua mente, apenas observe isto – de repente, você vai ver que o pensamento está ali e você está aqui, e não tem mais nenhuma ponte. Não observe e você se torna identificado com o pensamento. Observe e você não é ele. A mente te possui porque você se esqueceu de como observar. Aprenda.

Olhando para uma rosa, apenas a observe; ou observe uma estrela, ou fique parado na beira de uma rua olhando as pessoas passar. E então, bem devagar, feche seus olhos e veja o tráfego interno se movendo – milhões de pensamentos, desejos, sonhos estão passando. Sempre é hora do rush. Simplesmente observe como alguém que está sentado à margem de um rio, observando-o fluir. Simplesmente observe e observando você se torna consciente de que você não é isto.

A mente existe por estar identificada com as coisas. Não mente significa estar desidentificado delas.

Não seja uma mente, na verdade você não é uma mente. Então, quem é você? Você é consciência, você é o observador, você é a testemunha, você é o puro observador, aquela qualidade de espelho que reflete tudo, mas que nunca se identifica com nada.

E lembre-se, eu não estou dizendo que você é consciente, eu estou dizendo que você é consciência: esta é a sua verdadeira identidade. O dia em que a pessoa percebe que ela é consciência, ela conhece o supremo, porque no momento em que ela sabe “eu sou consciência”, ela também sabe que tudo é consciência, apenas em planos diferentes.

A pedra é consciência da sua própria maneira, a árvore é consciência da sua própria maneira, e assim também os animais e as pessoas. Tudo é consciência à sua própria maneira; e consciência é como um diamante multifacetado.

No dia em que você souber “eu sou consciência”, você terá descoberto a verdade universal, você terá alcançado a realização.

Sócrates diz: “Homem, conheça-te a ti mesmo.” Este é o ensinamento de todos os Budas: conheça-te a ti mesmo. Como é que você vai fazer para conhecer-se a si mesmo? Se a sua mente fica muito ativa e está fazendo muito barulho em torno de você, você nunca vai ouvir a pequena e silenciosa voz que existe dentro de você.

Você tem que se desidentificar da mente. Gurdjieff costumava dizer “todo o meu ensinamento pode ser condensado em uma única palavra e esta palavra é desidentificação”. Ele está certo. Não apenas todo o seu pensamento, mas todo o ensinamento de todos os mestres pode ser condensado nesta única palavra: DESIDENTIFICAÇÃO.

“The book of wisdom” Vol II

fonte http://samvara.info/artigoosho/

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