Lidando com julgamentos

Falando em julgamentos segue algumas notas sobre como lidar com o ato de julgar:

“O trabalho básico da atenção plena (mindfulness) é colocar um filtro na sua mente. Você observa seus pensamentos e quando nota que está pensando coisas ruins sobre si mesmo, ou sobre os outros, você somente diz “julgando” e os pensamentos vão embora. Se você fica frustrado com você mesmo e se pega se julgando muito, então você diz “julgando” e esses pensamentos vão embora.

Observar individualmente cada pensamento é um bom filtro. Observar seus humores é um nível diferente de filtragem. Se você percebe que está com um péssimo humor sabe que é preciso estar mais alerta para observar esses pensamentos negativos. Você pode observar se os pensamentos estão causando esse estado de espírito ou se seu humor está causando os pensamentos. Quando notar que está de mau humor e perceber os pensamentos negativos somente diga “julgando” que o pensamento irá embora. Talvez o mau humor irá junto.”

É incrível como essa técnica realmente funciona. Ao começar a notar que está fazendo julgamentos e reconhecer essa condição como “julgando” faz com que a luz da consciência seja direcionada para esse comportamento. É importante ao dizer “julgando” evitar fazer um julgamento do julgamento que acabou de ficar consciente. Simplesmente dizer “julgando” já é o suficiente para que esse hábito comece a enfraquecer. Como isso ocorre não faço ideia, o fato é que funciona.

Com o tempo essa luz de consciência vai lhe mostrando a quantidade de julgamentos que são feitos a todo momento, tudo bem com isso, é natural ser assim. Com mais um pouco de tempo treinando poderá começar a notar os julgamentos a seu respeito, porque quando começa a identificar e tomar consciência dos que emite sobre os outros perceberá bem rapidamente os julgamentos sobre si mesmo. No início pode ser um pouco difícil e doloroso perceber esse hábito, tudo bem também, lembre-se de evitar julgar o que percebe.

Assim, a primeira coisa é esta: pare de se julgar. Ao invés de julgar, comece a aceitar-se com todas as suas imperfeições, todas as suas debilidades, todos os seus erros, todos os seus fracassos. Não peça a si mesmo para ser perfeito – isso é, simplesmente, pedir pelo impossível e, depois, você se sentirá frustrado. Você é um ser humano, afinal de contas.

Se você quiser livra-se disso, a primeira coisa é esta: não se julgue. Aceite humildemente sua imperfeição, seus fracassos, seus erros, suas faltas. Não há nenhuma necessidade de fingir outra coisa. Seja você mesmo: “É assim mesmo que eu sou, cheio de medo. Eu não posso andar na noite escura, não posso ir lá na densa floresta”. O que há de errado nisso? – é humano.

Uma vez que você se aceite, você será capaz de aceitar os outros, porque você terá um clara visão interior de que eles estão sofrendo da mesma doença. E a sua aceitação deles, os ajudará a aceitarem-se. (Osho)