A Mente Serena – trechos em destaque

Algumas vezes nos falta confiança para ouvir a mente silenciosa, o que nos leva a duvidar de nós mesmos.

Como sabemos, tanto pelos ensinamentos quanto por nossas próprias experiências, se você está presente, isto é, relaxado e calmo naquele momento entre o sono e o estado desperto, você terá mais ou menos oito horas de sono com presença mental.

descobrimos que é muito fácil colocar energia mental no lugar errado, depositando nosso foco, muitas vezes, em coisas externas que não podemos mudar, em vez de olharmos para dentro e encararmos o que, de fato, pode ser mudado.

O primeiro ensinamento diz que ninguém é capaz de eliminar completamente o sofrimento de outrem.
1. Nossa felicidade ou sofrimento vêm de dentro.
2. Não é possível controlar as coisas externas, sejam elas pessoas ou circunstâncias, mas podemos controlar nossas próprias reações, ou o modo como encaramos as coisas. Logo, não precisamos nunca nos sentir totalmente desamparados.
3. Nada está gravado em pedra, sobretudo no que diz respeito à mente.

É fácil confundir o ego com nossa identidade verdadeira, já que é tão forte e, muitas vezes, alardeia muito mais do que nossa natureza interior. É nosso ego que cria a inquietude, mas, na maior parte do tempo, ele é bem preguiçoso, prefere que mantenhamos visões rígidas e fixas de nós mesmos e do mundo a sermos flexíveis e capazes de olhar com uma mente aberta. A mente do ego gosta de saber todas as respostas sem nem mesmo fazer perguntas; somos como somos e todo mundo, inclusive nós mesmos, precisa simplesmente aceitar isso.

enquanto os rótulos dados por nossos pais e outras pessoas se tornam os rótulos de nosso próprio ego. Por sua vez, estes se tornam padrões e hábitos: o jeito de fazermos as coisas, a forma que pensamos.

Mas o problema é que esse ego superficial – ou filtro – também depende de condições externas para seu senso de segurança. Assim, ao definir nossa identidade pela comparação e contraste com outros, acabamos, novamente, nos dispondo para inquietude e desapontamento inevitáveis.

Mas as expectativas e pressões para o sucesso podem deixar a mente inquieta, e acabam causando tensão e rigidez. Por isso, sem um sentido natural de fluxo, a pressão para o sucesso realmente começa a ter um impacto no que fazemos. Podemos nos preocupar constantemente em fazer as coisas de forma errada, temendo o fracasso em cada reviravolta e em cada decisão. Situações desafiadoras, por que em geral passaríamos sem pestanejar, começam a se tornar situações de vida e morte para nossos corpos e mentes.

Isso não quer dizer que nunca mais as teremos, mas que podemos reconhecê-las pelo que são – algo que parece real, mas que, como todas as emoções, não precisam ser fixadas ou enraizadas.

É por isso que uma ideia bem conhecida do budismo é abandonar o louvor e a crítica, já que qualquer dessas atitudes, encaradas como boas ou más, não importa, significa que estamos confiando em causas e condições externas para nosso sentido de identidade e valor: A rocha sólida não é movida pelo vento, e da mesma forma o sábio não se altera por louvor ou crítica. Buda

Em vez de imergirmos na alegria de fazer o que realmente fazemos bem, porque é algo de que gostamos e em que trabalhamos arduamente, nos distraímos e perdemos o foco, continuamente buscando validação fora de nós mesmos.

Significa apenas que podemos passar mais tempo pensando bem dos outros, em vez de nos preocupar com o que pensam de nós.

quando o ego está controlando fortemente nossas mentes, não percebemos as coisas de todos os ângulos possíveis.

o ego fica mais feliz com o estado usual das coisas do que com manifestações de flexibilidade e abertura.

Ao vermos nossas crenças e rótulos como são – percepções, não uma realidade fixa –, compreendemos que é possível sermos mais flexíveis e abertos;

Mas poucas pessoas que conheço se arrependeram de dar um salto no escuro, mesmo quando as coisas acabam não ocorrendo como elas imaginaram – isso porque a beleza da vida muitas vezes está na surpresa.

A meditação de Apreciação é o primeiro passo para permitir e encorajar sua natureza interna a vir à tona em sua mente. Alguns poucos minutos pensando sobre todas as coisas boas em sua vida produzem efeito sobre o dia inteiro. É também uma das habilidades emocionais e mentais principais para lidar bem com a adversidade e mostrar coragem ao nos depararmos com doença ou tristeza profunda.

Em vez de tentarmos resolver ou consertar os problemas da mente inquieta, cultivaremos a mente serena.

Ter mais presença mental, ou seja, ficarmos mais cientes de nossos pensamentos e sentimentos, significa jogarmos mais luz sobre eles. Não estaremos provocando sua existência.

Aqueles que pensam demais podem se apegar a infindáveis pensamentos, na crença de que eles serão úteis, enquanto outros constantemente definem e rotulam a si mesmos através de seus pensamentos e sentimentos.

Dificilmente alguém consegue desenvolver compaixão genuína se não compreender o sofrimento e não quiser acabar com ele a qualquer custo.

A mente confusa se distrai facilmente e é influenciada por quem quer que esteja ao redor, já que para ela é tão difícil tomar decisões.

A melhor forma de explorarmos nosso medo talvez seja termos uma atitude mais amigável conosco e com nossos próprios medos, buscando nossa sabedoria interior.

Quando acreditamos que nossas percepções são realidade, que são a verdade última, nossas mentes e crenças ficam restringidas, afetando nossas ações, à medida que tentamos vez após vez fazer as coisas do jeito que achamos que devem ser, ou então sofremos porque nem sempre se encaixam em nossa visão de mundo.

Crenças fortes afetam nossos padrões de comportamento e hábitos emocionais, levando-nos a nos comparar constantemente com os outros, criando expectativas e pressões por nos comportarmos de uma maneira específica diante de nós mesmos e dos outros. Esses são os filtros mais fortes pelos quais vemos o mundo e apregoamos sentido a tudo.

Se alguma situação deixá-lo estagnado, tente mudar a frequência da mente. Abandone os velhos julgamentos e as velhas maneiras de pensar sobre ela e se abra a uma nova possibilidade, uma nova forma de vê-la. Solte-se de qualquer expressão verbal que o esteja prendendo, tal como “eu sempre…” ou “não consigo…”. Se você quer tentar algo novo, permaneça receptivo à possibilidade de que aquilo aconteça de verdade.

É natural que tenhamos pressuposições em nossas vidas, mas sem compreensão, tomamos as pressuposições como se fossem realidade.

Neste momento, a maioria de nós é um fanático de uma forma ou de outra. Somos muito apegados a nossos conceitos de bom e mau, belo e feio, ao ato de gostar ou não gostar.

Algumas pessoas dizem que quando meditam, sentem uma grande variedade de emoções difíceis e complicadas. Quando não meditam, sentem-se melhores e menos vulneráveis.

Para outras pessoas pode surgir como uma sensação de não serem amadas, ou de sempre terem sido “boas”, não importa o que tenhamos feito, mas isso faz surgir uma intensa ansiedade sobre a possibilidade de fracasso.

Pergunte a si mesmo se o ego não está envolvido na emoção – será que não estamos tomando as coisas de modo muito pessoal, ou nos colocando no centro do universo?

Em outros momentos, estamos demasiadamente apegados às próprias emoções ou aos rótulos (isto é, a projeções da mente). Acreditamos fortemente que certas características ou fraquezas são uma parte inerente de nossa personalidade: são o que somos.

As emoções são efetivamente parte de nós, de nossa humanidade, mas não precisamos nos agarrar a elas para sermos o que somos.

A mente egoica certamente vai sentir falta de se comportar da mesma velha forma familiar, podendo, algumas vezes, dar lugar à raiva ou ao descontentamento.

Isso porque nossos medos estão muito ligados às nossas esperanças – tememos algum resultado negativo da mesma forma que esperamos um resultado positivo.
Mas o ego também pode ser bem forte numa pessoa quieta e até muito sensível. Se levarmos tudo para o lado pessoal, novamente percebemos o ego assumindo o controle, exatamente como aquele que grita e faz escândalo numa pessoa arrogante.

Há muitas pessoas que externamente parecem calmas, mas que, interiormente, estão inquietas devido à busca impossível de sempre estarem certas, ou fazerem as coisas de forma perfeita. A menor crítica ou piada fere sua sensibilidade, fazendo com que se sintam destruídas por dentro.

Nesse momento, precisamos ter coragem de permitir que essas emoções surjam em nossa meditação para que possamos olhar para elas sem julgamentos, sem rejeitá-las ou nos prender a elas, simplesmente vendo-as com mais clareza e exatamente como são ou como foram.

Mudar um comportamento automático pode também ser um alívio quando começamos a trabalhar com a mente. Esse livro nos encoraja a conhecermos nossa mente, mas há o perigo de ficarmos introspectivos ou analíticos demais. Sempre vejo as pessoas surpresas com a frequência com que eu e meus professores rimos de nós mesmos, especialmente quando ficamos muito sérios, mas também dos momentos engraçados da vida. Acho que podemos fazer um esforço consciente para cuidar de nossas mentes durante práticas específicas porque isso nos libera de uma introspecção exagerada e nos ajuda a viver o momento presente.

Certa vez alguém perguntou a um mestre Zen, “Como é que se pratica o Zen?”. O mestre disse, “Quando se está com fome, se come; quando se está cansado, se dorme.” “Mas não é isso que todo mundo já faz?” O mestre respondeu, “Não, não. A maioria das pessoas se entrega a mil desejos enquanto come e maquina mil planos enquanto dorme.”

Quando surge apego a resultados específicos, a angústia mental se estabelece mesmo nas pessoas mais bem-sucedidas. Isso ocorre quando o medo se infiltra e enrijece a flexibilidade costumeira de lidar com quaisquer altos e baixos do dia e ela, assim, fica mais vulnerável e fácil de quebrar.

Infelizmente sentimos o medo e a ansiedade de forma muito similar – é por isso que a ansiedade é tão desconfortável, afinal, ela aguça os sentidos enquanto estamos apenas sentados à mesa do escritório ou deitados na cama. Sentimos a ansiedade na boca do estômago e a mente começa a rodopiar: sua tendência ao exagero é infindável.

Geralmente quando estamos num bom momento, é fácil ignorarmos a mente, já que tudo parece funcionar muito bem.

Preocupar-se é pensar demais, especialmente sobre as incertezas do futuro ou sobre como somos percebidos pelos outros.

As meditações não foram projetadas para acabar com nossa tristeza ou aborrecimento.

Quando nos orientamos para resultados, queremos controlar o que é impossível de ser controlado. E, novamente, tentaremos consertar os fatores externos, em vez de nos focar no que pode fazer diferença – isto é, em nossa intenção. Tudo o que acontecer em seguida será consequência de nossas verdadeiras intenções.