Confie na vida – Osho

Isso é que é confiança. Confie na vida, e aí você não vai perder nada. Mas essa confiança não pode vir pela doutrinação, essa confiança não pode vir pela educação, pela pregação, pelo estudo, pelo pensamento; essa confiança só pode vir a partir da experiência da vida em todos os seus opostos, em todas as suas contradições, em todos os seus paradoxos. Quando, em todos os paradoxos, você chega a um ponto de equilíbrio, aí está a confiança. A confiança é o perfume do equilíbrio, a fragrância do equilíbrio.

Se você realmente quiser alcançar a confiança, abandone todas as suas crenças. Elas não o ajudarão. A mente crente é uma mente estúpida; a mente confiante tem em si uma inteligência pura. A mente crente é uma mente medíocre; a mente confiante se torna perfeita. A confiança faz a perfeição.

E a diferença entre crença e confiança é simples. Não estou falando do significado das palavras no dicionário – no dicionário, pode ser assim: crença significa “confiança”; confiança significa “fé”; fé significa “crença” –; estou falando da existência. Sob o ponto de vista existencial, a crença é emprestada, a confiança é sua. Na crença você crê, mas há dúvida por trás. A confiança não tem nenhum elemento de dúvida; ela é simplesmente desprovida de dúvida. A crença cria uma divisão em você: uma parte de sua mente crê, uma parte de sua mente nega. A confiança é uma unidade em seu ser, em sua totalidade.

Mas como a sua totalidade pode confiar, a menos que você a tenha experimentado? O Deus de Jesus não serve, o Deus de minha experiência não serve para você, o Deus da experiência de Buda não serve – tem que ser a sua experiência. E, se você carrega crenças, frequentemente se deparará com experiências que não se encaixam na crença, e aí a mente então tende a não ver essas experiências, a não tomar nota delas, porque elas são perturbadoras. Elas destroem sua crença, e você quer se apegar a ela. Então você se torna cada vez mais cego para a vida – a crença passa a ser uma venda sobre os olhos.

A confiança abre os olhos, não tem nada a perder. A confiança significa que o que é real é real: “Eu posso deixar de lado meus desejos e caprichos, eles não fazem a menor diferença para a realidade. Eles só podem desviar minha mente da realidade.”

Se você tem uma crença e passa por uma experiência que a crença diz não ser possível, ou a experiência é de tal sorte que você tem que abandonar a crença, o que você vai escolher: a crença ou a experiência? A tendência da mente é escolher a crença, esquecer a experiência. É assim que você vem perdendo muitas oportunidades quando Deus bate à sua porta.

Lembre-se de que não é só você que está buscando a verdade – a verdade também está buscando você. Muitas vezes, a mão chegou bem perto de você, quase o tocou, mas você lhe deu as costas e se afastou. Ela não se encaixava em sua crença, e você preferiu escolher a crença.

O homem que amava as gaivotas – Osho