Pensamentos intrusivos – lidando com eles

Pensamentos intrusivos são difíceis de parar porque quando você os percebe é que já os teve. Reconhecer o pensamento intrusivo, etiquetar* ele como “pensamento negativo”, “pensamento inútil” ou somente “pensamento” e então focar sua atenção na respiração ajuda a fazer esse pensamento passar. Trazer sua atenção para a sensação de respiração ocupa sua mente com sensações isentas de pensamentos. Pensamentos continuam a vir, mas você pode continuar trazendo sua atenção de volta a sensação da respiração entrando e saindo do seu corpo. Como o ar entra e sai do seu corpo, pensamentos entram e saem da mente.

Se pensar na sua mente como uma casa, quando um pensamento intrusivo entrar pela porta de trás ou por alguma janela você abre a porta da frente para eles saírem. Note assim que eles surgirem, segure eles na sua atenção, etiquete eles e os deixe ir. Quando você tem muitos pensamentos intrusivos, você precisa fazer isso com mais frequência.

Pensamentos continuam vindo. A coisa mais próxima que pode fazer para parar pensamentos é focar sua atenção nas sensações físicas. Se sentir sua respiração for muito sutíl você pode esfregar uma mão na outra ou bater palma 3 vezes sentindo suas mãos em contato ou sair para caminhar um pouco. Você pode também preencher sua mente com palavras “pensando, pensando, pensando…” ou “pensamentos, pensamentos são embora, voltem outro dia” ou algo assim.

Na casa da sua mente não permita que pensamentos intrusivos se sentem e fiquem muito confortáveis. Veja eles vindo e apresse sua saída. Você é o anfitrião cordial, não o cão de guarda. Mas se sentir que precisa latir, então lata.

Peter Taylor

Traduzido de Zen Mister com autorização

*Sobre etiquetar ou nomear pensamentos:
Assim, na prática da meditação, sentando-nos com uma boa postura ficamos atentos à respiração. Ao respirar, estamos inteiramente ali, verdadeiramente ali. Com a expiração nós saímos de nós mesmos, nosso fôlego se dissolve e logo em seguida a inspiração naturalmente acontece. Então saímos outra vez. Ocorre assim um constante “ir embora” com a expiração. Ao expirar nós nos dissolvemos, nos difundimos. Logo depois a inspiração se produz, naturalmente; não precisamos tomar conta. Simplesmente voltamos à postura — e estamos prontos para mais uma expiração. Sair e dissolver-se: chuuu…; em seguida, voltar à postura; logo depois, chuuu…, e voltar à postura.

Haverá então um inevitável clique! — um pensamento. Nesse instante nós dizemos: “Pensando”. Dizemos mentalmente, não em voz alta: “Pensando”. Rotular assim os pensamentos é uma poderosa alavanca para retornarmos à respiração. Quando um pensamento nos afasta por completo do que estamos realmente fazendo — quando já não percebemos que estamos sentados numa almofada, mas nos vemos em Nova York ou San Francisco —, nós dizemos: “Pensando”, e assim nos trazemos de volta à respiração.

O tipo de pensamento na verdade não faz diferença. Na prática da meditação sentada todos os pensamentos, sejam eles escabrosos ou benfazejos, são vistos simplesmente como pensamentos. Não são nem virtuosos nem pecaminosos. Pode-se pensar em assassinar o próprio pai ou ter vontade de fazer uma limonada e comer biscoitos. Por favor, não nos escandalizemos com nenhum pensamento que tivermos: qualquer pensamento é apenas pensamento. Nenhum deles merece nem uma medalha de ouro nem uma repreensão. Limitemo-nos a aplicar-lhes o rótulo — “Pensando” — e voltemos à respiração. “Pensando”, e voltemos à respiração.
Chogyam Trungpa
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