Atenção plena nas sensações e na mente – Thich Nhat Hanh

Trecho do texto Atenção plena nas sensações e na mente (Do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda”– Thich Nhat Hanh) http://www.viverconsciente.com/textos/atencao_plena_nas_sensacoes.htm

Existem muitos aspectos belos em nossa consciência, como fé, humildade, auto-respeito, ausência de desejo, raiva e ignorância, diligência, carinho com as pessoas, o sentir-se bem, equanimidade e não-violência. Por outro lado, as formações mentais doentias se assemelham a um novelo emaranhado. Tentamos desembaraçar a linha, e acabamos nos enrolando de tal forma que não conseguimos mais nos mover. Estas formações mentais às vezes são chamadas de aflições (kleshas), porque trazem dor para si e para os outros. Às vezes são chamadas de obscurecimentos, porque nos confundem e nos fazem perder o caminho. São também chamadas de impedimentos ou contratempos (ashrava), porque se assemelham a vasos rachados.

As formações mentais doentias básicas são a ganância, o ódio, a ignorância, o orgulho, a dúvida e as opiniões. As formações mentais doentias secundárias, que se originam das básicas, são raiva, malícia, hipocrisia, malevolência, inveja, egoísmo, fraude, astúcia, excitação doentia, desejo de prejudicar, falta de modéstia, arrogância, preguiça, agitação, falta de fé, indolência, indiferença, negligência, esquecimento e falta de atenção. De acordo com a Escola Vijnanavada de Budismo, existem cinquenta e um tipos de formações mentais, dos quais as sensações são apenas uma. Considerando-se que as sensações são, por si mesmas, o segundo estabelecimento da atenção plena, os outros cinqüenta caem na categoria do terceiro estabelecimento da atenção plena.

Cada vez que surge uma formação mental, podemos praticar o reconhecimento. Quando estamos agitados, dizemos: “estou agitado”, e isso é suficiente para que a atenção plena se instale. Até sermos capazes de reconhecer a agitação como agitação, ela irá nos empurrar para cá e para lá, sem que saibamos o que está acontecendo nem por quê. A prática da atenção plena da mente não significa não ficar agitado. Significa apenas que quando estamos agitados temos consciência disso, porque a agitação tem um amigo dentro de nós, que é a atenção plena.

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