Os equívocos sobre meditação

OS EQUÍVOCOS

A melhor forma de transpor as barreiras que o separam da meditação é substituir a

ignorância e as idéias equivocadas pelo conhecimento e pelos fatos.

  1. A meditação é fácil ou difícil demais.

A meditação é mais simples do que você pensa. E, paradoxalmente, mais difícil do que você possa imaginar. As instruções chegam a decepcionar de tão simples. O que pode ser mais claro do que uma instrução para simplesmente observar a respiração?

Experimente você mesmo. Feche os olhos e, nas próximas inspirações e expirações, limite-se a observar a respiração. Só isso. Se conseguiu inspirar e expirar, mesmo que uma só vez, sem começar a sonhar acordado, sem se inquietar, sem se perguntar que diabo está fazendo, já está bom demais.

Mas, caso seja como todo mundo, você não foi tão bem assim. É incrível o número de pensamentos que amontoamos numa única inspiração ou expiração quando nos propomos a observar o processo mental.

Embora as instruções sejam simples, o que a mente faz enquanto você tenta segui-las é coisa inteiramente diferente. Concentrar-se na respiração ou em qualquer objeto da meditação requer persistência e empenho. E requer o tipo de paciência que um pai tem com o filho de seis anos que vive se perdendo no zoológico.

Quando você se desviar do objeto da meditação e, como nos acontece na estrada, acordar dez quilômetros adiante sem saber como chegou lá, simplesmente volte ao objeto da meditação. É isso a prática da meditação: voltar com calma, sem julgamentos, muitas e muitas vezes, ao objeto da meditação.

A chave para o sucesso na prática da meditação é praticar, praticar, praticar.

  1. A meditação é uma religião.

Você pode pertencer a qualquer religião ou a nenhuma religião e ainda assim se beneficiar com a meditação. Ou pode meditar usando as técnicas de sua tradição religiosa. A meditação é uma prática que oferece oportunidades iguais e trata a religião como trata qualquer outra coisa: abertamente e com total aceitação.

  1. Vou ter de renunciar às coisas de que gosto.

Você não precisa renunciar a nada. Não há regras contra café, chocolate, balas, campeonato de luta livre, MTV, sorvete e nem mesmo contra certos desenhos animados. Mas é possível que, naturalmente, você corte coisas que não são lá muito benéficas. Se, de repente, você preferir meditar a assistir à reprise de um filme policial ou de um jogo de futebol, saiba que a meditação põe sua parte mais profunda em contato com o que é melhor para você.

  1. É como dormir ou ficar hipnotizado.

A meditação vai fazer com que você fique desperto, não com sono ou em transe. Embora o relaxamento ocorra naturalmente na meditação, ele não é o seu objetivo. É um maravilhoso subproduto ou um privilégio, como uma sala maior ou uma vaga coberta. Durante a meditação, é possível que você entre em estados ainda mais relaxantes do que o sono ou o transe hipnótico. Se isso acontecer, volte sua atenção para esses estados, observe-os e deixe-os ir. Na meditação, você não busca estados mentais, mas aceita de boa vontade os que aparecem em seu caminho, deixando-os ir em seguida.

  1. Os meditadores querem fugir da realidade e das responsabilidades.

Algumas pessoas acham que a meditação é uma tentativa egoísta e narcisista de fugir das responsabilidades e da vida real. Nada está mais longe da verdade. O objetivo da meditação é aumentar a nossa felicidade, desenvolvendo a capacidade de fugir para a vida, não de fugir dela. Com a mente mais aguçada e concentrada, a qualidade da sua vida melhora, sua experiência de vida fica mais rica e você, naturalmente, fica mais feliz.

  1. É preciso se isolar do mundo.

A meditação pressupõe imersão total, interior e exterior, na experiência do momento presente. Há quem ache que a meditação só pode ser feita em silêncio absoluto, de preferência numa montanha do Nepal, em total isolamento das imagens e dos sons do mundo material. Esse é um equívoco muito comum.

O meditador capaz aceita o mundo como ele é, sem óculos escuros nem protetor de ouvidos. No mundo real, os carros têm alarme, as crianças dão risada, os aviões voam baixo, os telefones tocam de repente e os vizinhos escutam o álbum do U-2 alto demais. Ao meditar, cultivamos a capacidade interior de lidar habilmente com qualquer fenômeno que possa surgir. A meditação não exige que você se isole do mundo, mas que o deixe entrar.

  1. É preciso ir para um mosteiro.

Não é preciso entrar para a vida monástica para se conseguir os benefícios da meditação. Na tradição zen há um ditado: “Quem quer uma pequena iluminação, vai para o campo. Quem quer uma grande iluminação, vai para a cidade.” Isto é, quanto mais difícil o ambiente, mais ele tem a lhe ensinar. Isso pode fazer da cidade de São Paulo a melhor sala de meditação do mundo.

A vida espiritual pode ser vivida em qualquer parte. Transforme o mundo no seu mosteiro. Isso inclui a sua casa, o seu escritório, o seu carro e até mesmo a lavanderia onde lava as suas roupas. Esteja onde estiver, tudo com o que você se depara lhe dá exatamente aquilo de que você precisa para trabalhar a meditação naquele momento.

  1. A meditação é uma coisa estranha.

Além de não ser estranha, a meditação está totalmente de acordo com a vida moderna. Existem certos direitos inalienáveis próprios do ser humano, como direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Esses três direitos fundamentais são também os objetivos da meditação – estar integralmente presente na vida, libertar-se da noção estreita de eu e ser feliz. Além de não ser estranha, a meditação tem muito a ver com cidadania.

  1. É preciso ter um professor.

Quando se tem um bom professor fica bem mais fácil aprender uma técnica como a da meditação. São poucos os professores de meditação bons e confiáveis. Por isso, fica muito difícil conseguir bons professores para um treinamento individual. Mas não desanime por causa disso. Um antigo provérbio budista diz: “Quando o aluno está pronto, o professor aparece.” Assim é há milhares de anos. Para começar, esta apostila é mais do que suficiente para iniciá-lo no caminho da meditação. Portanto, não se preocupe: quando você realmente precisar de um professor, ele vai aparecer.

  1. Há um jeito certo e um errado de praticar a meditação.

Não existe a melhor maneira de meditar. Elas são muitas, vindas das mais ricas e variadas tradições religiosas do mundo todo. Dizem que só o Buda ensinou 84 caminhos para a lucidez. Assim, é óbvio que há espaço para muitas opiniões. Algumas escolas e professores de meditação afirmam que o seu caminho é o único sistema correto. Muitos dizem: “É do meu jeito ou não é.” Duvide. Os verdadeiros professores de meditação seguem o caminho do meio (o equilíbrio entre a busca e a aceitação da verdade). Em geral, eles são receptivos às técnicas de outras disciplinas.

Assim, a melhor maneira de meditar é a que combina com você, aquela a que você quer se dedicar com disciplina e empenho.

“Os monges e os estudiosos devem aceitar a minha palavra não por respeito, mas depois de analisá-la como um ourives analisa o ouro: cortando, derretendo, raspando e polindo”.

Buda

  1. A meditação nos isola do resto da vida.

A meditação não é só aquilo que você faz sentado numa almofada ou numa cadeira por alguns minutos e depois esquece. Ela deve fazer parte da sua vida: é esse objetivo que você deve ter em mente. De algum modo e em algum nível, devemos meditar o tempo todo. È importante tomar consciência dessa prática, estendendo essa consciência a mais e mais áreas da vida cotidiana. Este é um bom conselho. Experimente. Fique o mais lúcido possível, durante o dia inteiro.

Do livro O Melhor Guia de Meditação de Victor Davich

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s