Compaixão nos leva a ver que o outro tem o mesmo direito que eu à felicidade

Nós podemos meditar por 20.000 horas, podemos meditar de ponta cabeça, podemos até, quem sabe, parar de pensar, mas o fato é que sem amor a coisa toda não vai, não vai sair do lugar, mesmo que algumas “habilidades” se façam presentes e sejam aprimoradas, de nada adianta, tudo se resume na compaixão e no amor.

É saber, dentro da nossa alma, que todos têm direito a felicidade da forma como entenderem quer a gente goste ou não (o que gostamos na realidade não importa), é preciso somente aceitar o fato e pronto.

Nós meditamos muito, namaste daqui zen de lá beijinhos de luz blá blá blá e quando pisam no nosso calo aquele bicho escondido (que todos temos e é bem natural) sai de sua toca e se defende atacando o outro de opinião diferente. Não aceitamos que o outro pode sim pensar diferente, o outro pode sim agir diferente. Porque no final o outro pensa que assim será feliz, que encontrará segurança e paz.

Queremos ganhar;
Não queremos perder;

Queremos reconhecimento;
Não queremos ser ignorados.

Queremos ser elogiados;
Não queremos a crítica;

Queremos prazer;
Não queremos dor;

Vivemos momentos difíceis onde a compaixão se mostra cada vez mais importante e esses momentos estão ocorrendo em todo o planeta, não somente aqui onde vivemos hoje (Brasil). Tenho certeza que os irmãos que vivem em Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde e vários outros países que acessam esse blog estão passando pelo mesmo, são tempos difíceis, mas que como tudo nesse universo também vão passar.

Se não temos compaixão precisamos começar a cultivar ela. Não sou eu que vou ensinar, muitos mestres já ensinam. Procuremos por eles. A hora é Agora.

(E)

Evangelho – Mt 22,34-40

Naquele tempo: Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo,e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: ‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’ Jesus respondeu: ‘`Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: `Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos.

“Gostaria de explicar qual é a importância do amor e da compaixão. É importante saber o que é compaixão, algumas vezes pensamos que é pena, mas isso não é compaixão.
Compaixão é o senso de preocupação, mas mais do que isso, é a noção clara de que todos os seres têm exatamente o mesmo direito à felicidade.

DALAI SOBRE A COMPAIXÃO

Essa compreensão é que nos traz a compaixão. Também um outro aspecto que costuma ser confundido com compaixão é a sensação de proximidade, de ligação que temos com amigos e parentes. Mas isso não é compaixão verdadeira, porque esse sentimento está ligado ao apego.

Muitas vezes, nosso senso de preocupação com o outro depende da atitude que ele adota. Se a pessoa age de forma negativa, nosso senso de compaixão desaparece.

Mas um senso de compaixão verdadeiro é o que nos leva a ver o outro como tendo exatamente o mesmo direito que eu à felicidade. A compaixão que se assenta no apego não se sustenta. A que se baseia na compreensão da igualdade de todos os seres é desprovida de apego, e é verdadeira.

Qual é o benefício da compaixão? Ela nos traz força interior. Geralmente, temos um senso de “eu, eu, eu”. E nossa mente centra tudo em nós mesmos. Então, todas as experiências negativas, mesmo pequenas, se tornam muito dolorosas, enormes. Mas quando pensamos nos outros, nossa mente se amplia, e os nossos pequenos
problemas se tornam realmente pequenos, e as coisas negativas não prejudicam nossa mente.

Alguns, quando experimentam tragédias que são involuntárias, se sentem enterrados em uma montanha de sofrimento. Mas, por outro lado, quando se pensa voluntariamente nos problemas dos outros, se procura alivia-los de seus sofrimentos, essa atitude voluntária traz uma abertura para o ser.

Dessa maneira, mesmo em meio a problemas pessoais, isso traz uma base de clareza, e a pessoa será capaz de se sustentar.

Compaixão e Bem-estar — Quando se pensa em compaixão por outras pessoas, alguns perguntam se isso não seria sinônimo de auto-sacrifício. Não, não é. Porque não se deve ser negligente em relação a si mesmo. E, baseado na minha própria experiência, acredito que se deve ser compassivo em benefício próprio.

Um exemplo: uma vida feliz precisa de amigos, apoio. Há amigos do dinheiro, amigos do poder, mas para esses indivíduos, se o dinheiro acaba ou o poder se vai, a amizade também acaba. Mas os amigos verdadeiros ficam.

Então, como criar amigos verdadeiros? Se você tiver um sentimento de compaixão, terá mais amigos verdadeiros. Mostre sentimentos gentis e sorria, e terá bons amigos. Porque essa atmosfera pacífica será a sua base, que irá criar as condições para a amizade.

A prática de compaixão também é imensamente benéfica para a saúde. De acordo com a medicina, os que tem mais compaixão, são mais interessados pelos outros, geralmente são mais saudáveis quando comparados com pessoas egoístas. Os egoístas sofrem mais freqüentemente de enfartes e outras doenças.´

A mente mais egoísta, mais voltada para si mesma é muito ruim para a saúde. A mente mais compassiva, mais voltada para o próximo traz mais tranqüilidade, resultando por isso em saúde muito melhor. (…) No nosso sistema educacional, muita atenção é dada ao desenvolvimento do intelecto, e menor atenção é dada ao coração, aos sentimentos. Pois isso é considerado tarefa da religião. E assim as crianças não recebem nenhuma orientação sobre como serem mais compassivas, e desenvolver um coração mais generoso. Mas a compaixão é tão importante para a sociedade que é incentivada por todas as religiões.(…)

A compaixão e a bondade são indispensáveis. Sem esses valores não há felicidade. Mas muitos crêem que a prática de valores como a compaixão, o perdão e o amor são relevantes apenas para os que praticam uma religião. Isso não é verdadeiro. Podemos ver que no passado e presente existiram pessoas que mesmo sem nenhuma fé religiosa tinham esse sentimento de cometimento, de responsabilidade, de compaixão pelo próximo. Essas pessoas se tornaram mais felizes, mais úteis, mais benéficas para a sociedade.(…)

Acredito que todos os seres humanos têm o mesmo potencial. Basicamente, o ser humano é voltado para a vida e comunidade. Assim, a semente da compaixão está lá, a semente do trabalho em conjunto está lá. É da natureza humana trabalhar em conjunto.
O individualista não pode sobreviver.”

Dalai Lama em Compaixão – fonte: http://ventosdepaz.blogspot.com/2012/10/compaixao-dalai-lama.html

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