Eckhart Tolle sobre o Tao

“Estaremos falando, não apenas falando, mas entrando na essência de um livro que me tem acompanhado nos últimos trinta anos.Um livro que sempre consulto diariamente, e sigo consultando todos os dias…leio uma página, ou duas ou três…e medito…

Trata-se de um dos grandes tesouros da literatura espiritual.

É um livro escrito na China a 2.500 anos atrás, o TAO TE CHING.

Pode parecer que se passou muito tempo desde aquela época, e sem dúvida o livro segue sendo imensamente vivo. E um livro escrito a tanto tempo, para estar tão vivo, significa que foi escrito a partir de uma dimensão muito profunda e aponta algo, que está fora do tempo (timeless).

Se não tivesse sido escrito a partir dessa dimensão, que está fora do tempo, e não apontasse esse algo atemporal, um livro escrito a 2.500 seria irrelevante, não teria sentido e seria na verdade incompreensível.

Isso ocorre com muitos livros, que foram escritos há 20 anos atrás! Ou mesmo o jornal de ontem, já está desatualizado.

Logo, existe algo para que este livro siga vivo agora e siga sendo profundo em significado, para muitas pessoas. Logo, deve haver algo aí que está fora do tempo.
Esta é a essência deste livro, e é isso que gostaria de aprofundar com vocês.

Assim, não é um livro que abordaremos, mas, não vamos analisar o texto, vamos usar o texto para ir profundamente para nosso interior, e descobrir algo dentro de nós mesmos. O livro não é mais que um recurso, que nos ajuda a descobrir, ajuda a ver nossa conexão com o Todo, com o Universo, ou como vocês o chamam.

Explico brevemente o contexto histórico; pode ser útil se saber um pouco mais sobre isso. Este livro foi escrito por volta de 2.500 – 2.600 anos, na China. Em outras palavras, a 500-600 anos a.C; este foi um período muito apaixonante e significativo; algo incrível estava acontecendo nestes 150-200 anos.

Pela primeira vez na humanidade, pelo que podemos ver, estava acontecendo uma onda universal de despertar espiritual por todo planeta. O autor do Tao Te Ching, Lao Tse, é um contemporâneo de Buda, que estava na Índia. Os ensinamentos de Buda surgiram aproximadamente na mesma época dos ensinamentos de Lao Tse, o autor de Tao Te Ching.

O Buda começava a ensinar na Índia,e aí também havia outro mestre muito importante, Mahavira, cujos ensinamentos não foram muito longe neste momento, nem tampouco hoje em dia, mas se manteve como algo muito significativo na Índia. Era aproximadamente a mesma época que viveu Buda. E deu início ao Jainísmo, uma religião muito bonita, que segue sendo praticada na Índia, embasada no termo “ahimsa”, que quer dizer, não violência, isto é, um profundo respeito por todos os seres vivos.

Nestes tempos, todos estes ensinamentos estavam sendo revelados e ensinados. Temos Buda e Mahavira na Índia, também estava surgindo o Zoroastro, na Pérsia ( não confundir com Zaratrusta de Nietszche) (…) Zoroastro, o Profeta da Pérsia; Temos também na antiga Grécia, e estou falando de antes dos grandes filósofos como Platão, Aristóteles, Sócrates, começarem a ensinar. Estamos falando de antes disso.

Estamos falando dos filósofos pré-Socráticos, pois precediam a Sócrates; Somente encontramos fragmentos de suas filosofias, mas são suficientes para nos mostrar que seus ensinamentos, eram em alguns aspectos, mais profundas que os de Platão, Sócrates e Aristóteles, que eram de outro tipo.

Meus filósofos pré-socráticos favoritos são Heráclito e Parménides. Só temos pequenos fragmentos, mas estes fragmentos nos mostram que estes ensinamentos estavam em contato com a fonte do Ser, a fonte da Vida. A Unidade que existe na essência de todos os fenômenos.

E depois, a medida que a filosofia foi se diferenciando, isso foi se perdendo. Os filósofos se tornaram interessados nas diferenças, mas a conexão com a raíz da vida, a unidade imanifestada, a dimensão transcendental, gradualmente foi se perdendo.

Estes filósofos de 500-600 anos a.C, ainda tinham esta conexão. Eles também se haviam dado conta de que a humanidade havia perdido essa dimensão, assim foi que tudo se tornou numa onda de despertar, que estava passando por todo o planeta. Vejam que não estamos falando da filosofia como a vemos hoje em dia, se tratava de uma transformação interior, e não uma especulação, como ocorre hoje.

Aqueles, eram filósofos que investigavam a si mesmos, Buda, Mahavira, não eram especulativos, eram investigadores de si mesmos. Seu ensinamentos eram vivenciados. Tudo era em função de uma transformação interior, e não de se entender algo com sua mente.

Assim, que temos: o despertar na Pérsia, o despertar na Índia,e o despertar na antiga Grécia, e agora vamos a China, temos Lao Tsé e seus ensinamentos, que surgia na mesma época na China.

Tudo parte desta onda de despertar global, que agora estamos vivendo atualmente. Agora, em uma escala muito maior que naquela época.

Estamos em um período similar a aquele, exceto porque desta vez a onda de despertar espiritual é muito mais poderosa, está em uma escala muito maior e muito mais generalizada que antigamente. Estamos no meio disso.

A 200 anos ninguém no Ocidente falava do Tao Te Ching. Agora estamos despertando, e é por isso que agora podemos falar do Tao Te Ching e compreendê-lo.

Lao Tse, estava…se sabe pouco de sua vida – dizem que ele estava a cargo dos arquétipos de um reino chamado Zhou. Não sabemos com que idade estava, mas começou a se sentir cansado com a corrupção, de como atuava a corte e os conflitos a sua volta, e então ele decide deixar seu trabalho e partir só para as montanhas.

A história conta isso, mas não sabemos se é verdade; diz-se que chegou até a fronteira desde reino, onde havia uma porteira, e o guarda disse que Lao Tse não poderia passar a menos que escrevesse sua sabedoria. Ele tinha a reputação de um sábio, mas nunca havia escrito nada.

Então, ele disse: Está bem vou escrever. Não sabemos quanto tempo levou, mas escreveu. Após isso a porteira se abriu e o deixou partir. Este pequeno livro é o Tao Te Ching. Este é o ensinamento este é o livro. E então, de acordo com uma versão do que se conta, Lao Tse montou em um búfalo e partiu para as montanhas e nunca mais foi visto. Em outra versão, dizem que ele seguiu ensinando e chegou até os seus 160 anos.

Tao Te Ching é o título do livro, e geralmente não se traduz. Alguns tentaram traduzir o título mas não tiveram sucesso. As vezes se coloca um sub-título, que diz assim: Tao Te Ching – o caminho da virtude. E essa é uma das traduções errôneas. Tao poderia ser traduzido por “o caminho”, mas não é possível traduzir o que seja Tao. Mesmo que se traduza como “o caminho” tem pouco sentido. E se você for chines, isso pouco importa, seguirá sem saber o que significa Tao.
Tao não se pode nomear, logo falaremos disso.

Em um subtítulo ” O caminho da virtude”; Virtude é uma tradução errônea para “Te”. Virtude em nosso idioma inglês, não tem vida; Quando foi a última vez que você usou a palavra virtude? Provavelmente a muito tempo, se é que usou alguma vez. Virtude não se usa; Te, o que realmente aponta e “poder”.
Logo, Tao Te Ching, seria “O Poder do Espírito”, “O Poder da dimensão transcendental”; O Caminho e seu poder, é um subtítulo mais adequado para o Tao Te Ching.

O caminho, se refere a como viver. O caminho é viver alinhado com o único poder que subjaz no universo. A única coisa que não pode se nomear, que não é uma coisa. Viver alinhado com o Absoluto, que as vezes chamamos de Deus. Mas quando se diz, Deus, o transformamos em algo, e não é isso. Não é algo. É uma não-coisa que flui por todo o universo, que dá vida ao universo, e está além dele. Isso é Tao. E somente podes descobrir em si mesmo. Podes viver de uma maneira em que estejas conectado com essa fonte interior de toda a vida, de todo ser.
O Caminho e seu poder; Isto nos ensina como nos alinharmos com esse poder que subjaz a toda a vida; E como disse Lao Tsé: Por não possuir a palavra adequada, o chamarei de Tao.

Está bem, chamá-lo assim, porque é uma palavra que não se presta a distintas significados; Não se pode entender o que exatamente significa.

Da mesma forma, Buda usava a palavra “vazio”;Não se pode venerar o vazio. É um termo negativo, que nega a existência da forma. Os humanos sempre tiveram a tendência a venerar a forma. O conceito de Deus que surge na mente, e começa a falar Dele. O conceito de Deus se transforma em um ídolo, porque não é mais que um pensamento.

Mas não se pode fazer o mesmo com Tao, porque não se pode imaginá-lo, formar uma imagem dele, da mesma maneira que não se pode imaginar o vazio.
Essa é a realidade transcendental da qual o livro fala, e se mostra como um caminho. Existe um grande poder aí.

O Tao Te Ching veio a mim na década dos meus 20 anos. Alguém me disse, “dê uma olhada nisso, é interessante”.E fui ver, e algo do livro me atraiu, mas estava tão oculto que não pude… eu sabia que havia algo ali, alguma verdade, mas não sabia o que era, não podia decifrá-la.

Então, o coloquei de lado, e me dediquei a outras coisas. Depois de uns anos, no início dos meus 30 anos, redescobri o livro em outra tradução, que já não existe mais, e não só me encontrei com uma tradução melhor, mas havia ocorrido algo em mim, um despertar, uma mudança de consciência, e através desta nova consciência, li o livro e disse: Uau!! É a isso que ele se refere!! Me dei conta da profundidade dessas palavras.

Desde então, o livro em suas diversas versões – não me refiro ao livro físico,- mas ao que o Tao Te Ching se refere, nunca mais me abandonou. Sempre esteve comigo, de uma forma ou de outra.

Esta é a história por trás do Tao Te Ching. Agora podemos sim, adentrar nele mais
profundamente.

Tenho aqui duas traduções, que são as minhas favoritas neste momento. Vamos usar a de Stephen Mitchel, Tao Te Ching, que é muito recente; e outra que tenho a muito tempo e que gosto muito é a de Gia-fu Feng e Jane English, eles o traduziram juntos. Essa é uma outra belíssima tradução. Hoje estarei usando a versão de Stephen Mitchell.

As primeiras duas linhas do Tao Te Ching são muito famosas, algumas vezes as citei. Mesmo aí as traduções variam.

As duas primeiras linhas:
“O Tao que se pode expressar não é o Tao eterno”
O que quer dizer é que, não se pode falar sobre a realidade transcedental. Qualquer coisa que se diga a cerca dessa realidade última, é falso. Entretanto ele continua falando sobre isso.

Como pode ser isso então? Ele está dizendo para que nós não fiquemos presos a essas palavras, que não creiamos que essas palavras, estes conceitos; que eles não se convertam em crença.

A Verdade é infinitamente maior que qualquer descrição que façamos dela, ou sobre ela.

Estas duas linhas são muito importantes: O Tao que pode ser expressado ( ou contado, ou falado ) não é o Tao eterno. Está bem, agora posso contá-lo a vocês! Porque o Tao está em ti, e o único lugar em que podes descobri-lo é em você mesmo. O livro mostra a forma de descobrir quem você é, mais além daquilo que você acredita ser; mais além daquilo que a sua mente está te dizendo sobre quem você é.

E agora, o mais próximo que podemos chegar nessa definição de Tao é que ele é indefinível. E é isso que encontramos nas próximas linhas, que vou ler agora, e devem escutar não só com a cabeça, mas com todo o seu ser. Porque não se pode entender só com a mente. Se puderem sentir o poder que existe nessas palavras, é porque estão sentindo o seu próprio poder, além da atividade mental.
“Já existia algo perfeito e sem forma antes do nascimento do Universo.
É sereno, vazio, solitário, imutável, infinito. Eternamente presente. É a mãe do Universo.
Por não encontrar um nome apropriado, lhe dei o nome de Tao.”

Notem que ele começa dizendo: “Havia algo perfeito e sem forma, antes do Universo nascer.

Antes de que surja a forma, antes do Big Bang podemos dizer. Aí ele usa o verbo no passado, na seguinte linha ele diz: é sereno, vazio, solitário. Não se refere ao que existia antes do nascimento do universo, mas que continua sendo fora do tempo em ti mesmo. Isso que estava ali antes do Big Bang, segue sendo presente em você.É a vida única, não-manifestada, a consciência única; sem a qual, não existirias. É a essência de quem és.

E claro, se dizemos isso a qualquer cientista materialista, ou o que seja, não digo um grande cientista, mas um qualquer, ele dirá: Mas que absurdo! Ou se dizemos isso a alguém muito fechado, ele dirá: Isso não faz sentido. Algo existir antes do Universo? Do que você está falando?

Muito sabiamente, Mitchell cita um dos grandes cientistas, Albert Einstein. O que ele teria a dizer sobre isso.

Einstein utilizou enormemente o pensamento, mas um pensamento que estava enraizado no silencio. O pensamento por certo, é uma parte essencial do Tao. Seu pensamento estava enraizado no Tao, no silencio que está além do ruído mental. Deste lugar, dessa dimensão, surgiam os descobrimentos de Einstein. Ele não estava preso em seu ruído mental, como a maioria dos cientistas que negam a realidade do transcendental.

Einstein estava conectado com a realidade, e disse:
“O sentimento religioso dos cientistas toma a forma de um extasiado assombro, ante a harmonia da lei natural, que revela uma inteligência de tal superioridade que, comparada a esta, todos pensamentos sistemáticos dos seres humanos, são apenas reflexo absolutamente insignificante. Este sentimento é o valor central da minha vida e do meu trabalho.”

O reconhecimento de que existe uma vasta inteligência que está por trás de toda a criação.(…)

Isso está na flor. Isso a cria. Está em ti, inundando todo o espaço que nos rodeia. Surge através do cérebro humano, e este lhe dá forma; quando o cérebro não opera, deixa de mover-se através dessa forma. É a consciência mesma que você é.
Isto demonstra que Einstein estava conectado com essa dimensão, e por isso tinha essa inspiração em seu pensamento, por isso obteve descobrimentos repentinos.

Agora chegamos a algo um pouco mais amplo, só algumas linhas, iremos vendo aos poucos, uma linhas de cada vez.

Como viver, como estar em contato com Isso? Irei ler a primeira sessão, e logo veremos mais detalhadamente algumas linhas. Não só com o a mente intelectual, mas sentindo com todo nosso ser.
“Podes deslocar sua mente de suas inquietações e deixá-la nas mãos da unidade?
Podes deixar que seu corpo se torne tão sutil, como o de um bebe recém-nascido?
Podes limpar sua visão interior, até que somente vejas a luz?
Podes amar aos demais e guiá-los sem impor sua própria vontade?
Podes lidar com assuntos importantes, deixando que eles sigam seus caminhos?
Podes tomar distância de sua própria mente e entender tudo?
Dar a luz e nutrir?
Ter sem possuir?
Agir sem expectativas?
Guiar sem tentar controlar?
Esta é a suprema virtude.

Virtude significa “Poder”. O poder flui através de você, se vives dessa maneira, se se transformar nisso. Se te das conta de que és uno com isso.

Vamos ao início: Podes deslocar sua mente de suas inquietações… se se fixas em sua própria mente, verás que isso é o você faz. Vai de uma coisa a outra, de um pensamento a outro, e continua e continua… As vezes chamamos de voz em nossa cabeça.

Podes deslocar sua mente de suas inquietações e deixá-la nas mãos da unidade? Em outras palavras: É possível a você se sentar por um momento em silencio, e não dar atenção a cada pensamento que diz: Siga-me eu lhe mostrarei o caminho! Sou um pensamento importante!!

E uma vez que siga a um pensamento, chega outro e outro… é uma corrente, é assim como a maioria das pessoas vivem, imersos continuamente em sua tagarelice mental.(…)

Inclusive se vê isso na literatura do século XX, se chama ” A Corrente da Consciência” de James Joyce. Podes encontrar trinta páginas seguidas sem nenhuma pontuação. Ela observava sua própria mente e anotava o funcionamento. Fazia sem nenhuma pausa, sem nenhum ponto, nem vírgulas, nem nada…”normal”.(risos…)

Quando entender isso…é surpreendente que eles não se percam, pois estão tão identificados com isso, que se convertem nisso. Dizem: eu penso, eu sou isso. Na verdade são os próprios pensamentos que dizem isso, eles que dizem: “eu penso” (risos…)

Perdem a vasta dimensão interior que está por baixo dos pensamentos, e é por isso que o Tao Te Ching diz para que não demos muita importância a esses pensamentos, e encontre um descanso, e é por isso que o momento presente é tão importante, porque é este que pode te tirar dessa corrente de pensamentos. Só se tornando atento a este momento. Não há muito no que pensar, só em permanecer sentado aqui.

O que poderia agregar a este momento, para que se torne melhor, e que já não esteja aqui?

Ou ao olhar uma flor, porque agregar-lhe pensamentos? Ou ao olhar um outro ser humano…porque agregar pensamentos a esta percepção tão linda? Deixe nas mãos da Unidade. Quando deixa de estar sob o controle dos pensamentos e te das conta de que existe um lugar dentro de ti que transcende ao pensamento, você se conecta com a Unidade. É somente através do pensar que surge a ilusão de separação. Começas a nomear as coisas – isso, aquilo, julgando as coisas.. Não significa que já não possa mais fazê-lo, é apenas que já não estás preso a isso…
“Podes deixar que seu corpo se torne tão sutil, como o de um bebe recém-nascido?”

Ao se estar imerso em pensamentos, seu corpo se torna rígido, já que ele espelha o que está se passado na mente, o que na maioria das vezes é problema que sua mente está criando.

“Preciso pensar nisso, e naquilo…” Quanto mais problemático seja um pensamento,- e todo pensamento é problemático-, menos vida haverá em seu corpo. O fluxo de energia corporal diminui. Você se torna rígido, tenso, você se reprime.

“Podes deixar que seu corpo se torne tão sutil, como o de um bebe recém-nascido?” Lembre-se que esta é uma tradução livre, se você vai além da tradução mais literal, o que se diz aqui é:
“Você pode concentrar seu Chi, ou energia vital, até que seu corpo se torne tão sutil como o de um recém-nascido?

Este ensinamento pode ser chamado de Consciência Corporal. Se pode interiorizar? Levar sua atenção até o interior do corpo, e sentir que você está vivo por dentro. Pode sentir a vitalidade em suas mãos? Pode sentir a vitalidade em seus pés? Pode sentir a vitalidade que inunda todo o corpo? Isso te tira da mente. Mesmo sentados aqui, vocês podem sentir isso?

Isso é uma prática taoísta muito antiga, que já existe há milhares de anos, quase tão antiga quanto o Tao Te Ching; se trata de respirar dos calcanhares até encima. Se diz: Você pode respirar dos calcanhares até encima? Claro que não, porque não se podem aspirar com os pés… mas o que eles querem dizer é para você dirigir sua atenção aos seus pés e imaginar que está respirando daí, que respiras pelos calcanhares.

Isso serve para que se torne consciente, comece na parte inferior de todo o seu campo energético. Quando imaginas que respiras desde seus pés, a energia começa a fluir de baixo até encima. Imaginar que realmente se está respirando com os calcanhares, e a energia da respiração fluirá pelo corpo. Uma prática muito antiga.(…)

“Podes limpar sua visão interior, até que somente vejas a luz?”
Aí dentro parece que existe algo obscuro, embora haja luz, é somente a mente que “cria” o escuro. O que significa limpar a visão interior, até que só se veja a luz?

Por “luz”, se refere a Luz da Consciência. Com o “limpar a visão” interior, se refere a silenciar a mente, até o ponto em que se torne consciente da própria consciência; até que se torne consciente de que você é Consciência. E então, isso sempre permanece aí.

Este capítulo em essência, trata sobre como estar no mundo, e ao mesmo tempo, conectado com a fonte. Neste momento, pode ser útil que não te percebas como uma pessoa que tem passado e um futuro. O que resta de você, aqui e agora, sem isso? O que resta é a Consciência, apenas sua presença. É simplesmente uma presença. Não uma opinião, ou memória.Essa é a luz da consciência, e também é o Tao, você não pode sacar isso, não pode convertê-la em um objeto de conhecimento e dizer: Ah aí está! Ali está, posso vê-la. É a luz da consciência! Não! Você é a Luz da Consciência, e através dela pode-se ver tudo. Não pode vê-la , nem tocá-la. Ela subjaz a tudo. É isso que cada um de nós somos em realidade. A Presença que diz, “sua” presença, mas não é de todo correto porque não é que seja “sua”, senão que és isso. Há uma unidade nisso. Se diz “sua presença” parece que existe uma presença de um lado e a presença de outro por outro lado. Essa linguagem parece criar uma dualidade. E é por isso que o Tao Te Ching nos aponta como a mente, a linguagem cria uma espécie de ilusão de separação.
“Podes amar aos demais e guiá-los sem impor sua própria vontade?” Impor sua vontade, em outras traduções, – já que estamos vendo distintas versões -, quer dizer: Você pode viver neste mundo sem ser astuto? Eu falo sobre isso em um dos meus livros, de como o ego é engenhoso, no sentido de que tenta levar vantagem para si mesmo, ou para “nós”. Tem seus pequenos planos, tenta usar as pessoas. A maioria dos políticos são engenhosos, são espertos, são poucos que são inteligentes. (…)

Não se envolver em discussões inúteis; não se identificar com posições mentais de “estar certo”, todo o tempo “eu estou certo você está errado”; Esta energia te deixa afasta completamente de si mesmo; não discutir inutilmente. Estar disposto a escutar, em um estado de abertura. Não se identificar com suas opiniões, já que assim acaba por se opor as opiniões dos outros.
“Podes lidar com assuntos importantes, deixando que eles sigam seus caminhos?” Encontrei uma outra tradução, mais próxima da original,que em lugar de dizer “deixando que eles tomem seu caminho”, diz: “convertendo-se em feminino”. Podes lidar com os assuntos mais importantes, convertendo-se em feminino?
O princípio da feminilidade, – e as vezes se usa feminilidade como sinônimo de Tao -,poderíamos dizer que o princípio feminino é o de “permitir ser”, que é assim ( braços abertos ) e o masculino é assim ( braços fechados ). De acordo com este ensinamento, o gênero feminino, expressa o Tao mais claramente do que o masculino. É mais fácil de expressar o Tao através da forma feminina, do que da masculina.

Se és masculino, terás que descobrir a feminilidade ( a receptividade ) em si mesmo, para ser uno com o Tao. Deves descobrir essa receptividade, e permitir que a realidade seja aquilo que é.

Quando digo, permitir a este momento ser como é, essa é a feminilidade, não lute com aquilo que é, permita que seja; que haja aceitação.

Ás vezes se vêem estátuas de Kuan Nin, com as mãos estendidas, como as da Virgem Maria, todas são expressões da feminilidade. Tudo é acolhido, tudo é Universal.

Podes ser esse acolhimento, em qualquer situação?

Isso gera muitas discussões. Alguma mulher pode dizer:Não gosto dessa ideia, quero ser poderosa! Sem se dar conta de que o poder da feminilidade é enorme. É o poder desse “permitir ser”, é muito maior daquele que interfere.
Vamos adentrar em outra pergunta extensa. O quanto estás aberto para receber esta mensagem. Isso é muito familiar para mim, por isso lerei apenas algumas linhas.

Alguns dizem que meus ensinamentos não tem sentido; outros o chamam de “nobre” mas não o põem em prática; mas para aqueles que os vêem a partir do profundo de si mesmos, este “sem sentindo” faz todo sentido; e para aqueles que os colocam em prática, esta nobreza tem raízes que vão profundo.

Então, existem algumas pessoas que não tem essa abertura, porque não encontram nenhum sentido nisso; tem que haver algo em ti que reconheça a verdade disso, além das palavras e dos conceitos.

“Esvazia sua mente de todos os pensamentos, e deixa que seu coração esteja em paz.” Vou ler o mesmo, mas em outra das traduções, verá uma pequena mudança no sentido; outra sensação.

“Se esvazie de tudo. Deixe que a mente se transforme em silencio. Observa a agitação dos seres, mas contempla seu retorno.” Observa a agitação que existe neste mundo, toda a atividade dos seres… como vão correndo.
Observe. Quer dizer que sejas consciência, e contempla o retorno: tudo volta ao sem forma, cedo ou tarde. Imagine que está vendo um filme, – a mim me encantam os filmes antigos, dos anos 30-40; me encantam por exemplo cenas na rua, em Londres, Nova York, centenas de pessoas correndo por causa de seus trabalhos, – esta é a agitação dos seres, como diz aqui.

Você precisa vê-los. Eu vejo, e observo surpreso, – e aqui diz: Observa e contempla seu retorno – quando eu vejo, essas cenas de rua, digo: Todas essas pessoas já não estão mais aí! Estão todos mortos neste momento. Era tão “importante” o que estavam fazendo, parece importante… correndo daqui e dali..carros.. (…)

E não resta mais nada. Só o vazio. Mesmo aqui e todos nós aqui, se colocarem câmeras aqui filmando, veremos os corpos gradualmente se dissolverem, ou evaporarem. E não demora muito. Ás vezes comparamos a bolhas de sabão, que se dissolvem uma atrás das outras.. e não sobra nada. Os corpos físicos duram um pouco mais, até que eles se dissolvam também.

Mesmo as pedras se dissolvem, podem duram dois mil anos, mas um dia irão se dissolver.

Tudo o que existe se dissolve. Todas as formas terminam por se dissolver, são impermanentes.

E observar isso é extremamente poderoso, por isso é que o Tao Te Ching diz: Observa a agitação dos seres, mas contempla seu retorno. Significa que seja consciente da impermanência de toda forma que existe. Não como algo negativo, mas que veja como é. E se és consciente da impermanência das formas, de que todas as formas duram pouco, como é que você pode ser consciente? Deve haver algo em ti, que está além disso. Ás vezes é como dizer: se todo o universo fosse azul, a cor azul não existiria, porque não existiria nada para diferenciá-lo.
Diria: Tudo é azul. E te diriam: Do que está falando? Azul? o que é azul?

Se tudo fosse impermanente, nem sequer haveria o que saber. Mas existe algo em ti que transcende a isso, e é por isso que sabes. É pós isso que ao contemplar o impermanente, te conecta com isso. Isso em ti, que é a consciência, a presença eterna, a luz da consciência, não é afetada pela impermanência.

E o que a mente diz sobre isso? Sim, mas o que acontece quando eu morrer? Perderei a consciência? Ou se cair uma pedra na minha cabela, perco a consciência? Como é isso?

Só significa que a consciência não pode seguir fluindo através do seu cérebro, neste mundo, então, deves se retirar e buscar outro canal.
Não podes perder a consciência. Isso não é surpreendente? Por que não?
Porque você é Consciência. É a sua essência. Não se pode perder a si mesmo. Em lugar de Consciência podes usar Vida; o Tao é o imanifesto, aquilo que subjaz à essência eterna de toda vida. Você é o que dá a vida a todas as formas, mesmo que durem pouco, você é Isso.

Não se pode conceituar isso. Se pensar nisso, não fará sentido algum. Tens que sentir em si mesmo. Sentir. Não se pode conhecer Isso como se conhece um objeto, só se pode conhecendo como a si mesmo. Porque é o sujeito de todo conhecimento.

“Cada ser retorna à fonte comum, regressa a esta fonte que é serenidade”. Uma outra palavras para esta serenidade, pode ser silencio. Tudo retorna à fonte da qual veio a vida. A vida única é imafestada. Retornar à fonte é silencio. O bom é que não precisas esperar a morte para retornar à fonte.

Ao viver uma vida de plena sabedoria e poder, podemos regressar à fonte, antes que o corpo morra. E viver conectados com a fonte da vida. Por isso diz que: regressar à fonte que é silencio. Quando encontrar o silencio dentro de ti, regressas à fonte de toda vida.

O que é o silencio? Um momento em que não estás pensando, mas estás consciente, em um espaço interior. Como agora. (…) Podem sentir que há um espaço em ti, que é apenas consciente? Que não te diga nada, ou não me diga nada… só isso. Voltar à fonte, ao sem forma, ao eterno em ti.

“Se não te dás conta de que existe essa fonte, tropeças em confusão e em dor.”
É assim que a maioria das pessoas vivem, infelizmente. Tropeçam, por estarem desconectados da sua essência, sem se dar conta da fonte do seu ser. Imediatamente surge a confusão, confusão mental, a mente cria todo tipo de problemas falsos. Você mesmo se torna um problema para si mesmo, e um problema para os outros, um problema para o planeta, e contribui para aumentar os problemas do mundo; e é a isso que chamam de ser “normal”. Se tropeça em confusões, como acabamos de dizer, e a dor é o que provém quando se está desconectado com essa dimensão que há em ti, sofres em sua vida cotidiana.

É isso que disse Buda: “A vida é sofrimento”. A menos que vá além deste sofrimento, e é isso que te mostra o ensinamento, o caminho.. é isso que nos mostra o Tao Te Ching.

“As pessoas vivem como se fossem em um sonho. Por exemplo: Onde está o que lhe aconteceu ontem? Em certo sentido, é como um sonho. Qualquer coisa que em seu momento era importante. (…) Não há muita diferença. Ou chegas ao final de sua vida, e recorda todos esses anos. Esse foi um longo sonho! Ou um pequeno pesadelo, talvez!

“Seu coração se torna terno como o de uma avó.”
Uma linda imagem. A avó já passou por tudo, é um pouco como o Buda barrigudo, – o Tao está influenciado pelo Buda chinês barrigudo. Recomendo aos que creem que possuem muitos problemas, que se compre este Buda de barriga grande e o olhem por um longo tempo; é um Buda que está rindo, ele não é sério. Significa que ele está conectado a algo mais profundo.

Não se leva esse mundo muito a sério. Essa influência é benéfica. Só quem não leva o mundo tão a sério, pode ser um bem para o mundo e pode melhorá-lo. Se creem que o mudo é algo muito sério, não poderá melhorá-lo, só irá contribuir para aumentar sua loucura; estará de uma maneira ou de outra lutando com alguém, alguma organização, ou um grupo de gente. É necessário que haja uma certa desidentificação, e se converte no Buda barrigudo, ou na avó. Ter a dignidade de um rei, quer dizer a dignidade, ou a integridade de quem és. A mesma que existe em cada animal, mas que muitos humanos perderam.
Não há divisão. Sempre que você olha um cão, ou um gato, um pássaro, ou o que seja, ele é um consigo mesmo. Tem uma enorme dignidade.

As vezes, se pode notar a diferença entre olhar um ser humano e sua estupidez. E ás vezes os humanos são tolos, tem um cão digno.(risos…)

E as únicas ocasiões em que saem da sua estupidez é quando acariciam seu cão. Por esse momento podem ser eles mesmos. Já com outras pessoas interpretam algum papel, sem saber que o estão interpretando. Por um momento com o cão, existe a habilidade de ser eles mesmos, sem ter que fingir e relaxar. E é por isso que não entendem como podem amar tanto aquele cão, ou gostam tanto de estar com seu gato.

Isso é porque os animais lhe permitem serem eles mesmos, autênticos; encontram a si mesmos através destes animais. Essa é a dignidade do animal, mas que também está em você. Essas próximas frases são interessantes para aqueles que estão a cargo de liderança de alguma organização, ou país, ou seja, como governar um país, ou uma organização.

“Quando o mestre governa, as pessoas são apenas conscientes de que ele existe.
O governante inferior é aquele que é amado.
O governante mais inferior ainda, é temido.
O pior é o que é depreciado.
Se não confias nas pessoas, as pessoas perdem sua confiança.
O mestre não fala, age. Quando seu trabalho está feito, as pessoas dizem: Que bom, nós fizemos por nós mesmos.”

Então, quando existe um governante verdadeiro, ninguém é consciente dele. Ele se faz notar raramente. Não fala. Não fica dizendo: Olhem para mim! Eu fiz isso!
Isso significa que, identificar-se com as ações, e atribuir-se méritos, ou discutir com alguém, não se trata de um verdadeiro mestre.
O verdadeiro mestre governa além da mente, além da identificação com as ações. Este é o mesmo fenômeno que encontramos em pessoas simples, humildes, que ainda não desenvolveram um ego. Às vezes elas fazem coisas incríveis, mas não existe dentro delas uma entidade dizendo: Olha, eu fiz isso! Ou que se sente o quanto ele é importante.

Isso é muito bem expresso no filme Forest Gump. Ali o herói, ou anti-herói, não tem ego. Ele está abaixo do ego; ajuda muitas pessoas, e vive coisas boas, mas ele não tem o sentido de separação, de diferença dos outros. Ele vive bem.

O que dissemos antes, se tratava em transcender ao ego, mas aqui no caso de Forest, ainda não foi desenvolvido um ego, daí ele viver com um sentido de unidade. Quando se vive assim, o universo se torna amigo, nos ajuda; muitas coisas boas chegam a sua vida, porque deixas de se separar-se da vida. Começa-se a viver em unidade com o momento presente.(…)

Seu destino não se determina pelo que te ocorre, isso é o que a maioria das pessoas acreditam: “O que acontece comigo determina minha vida”.
Seu destino se determina por como você responde ao que acontece. E o que acontece depois, está determinado por como você reage, ou responde ao que acontece agora.

Algo que parece ser mal acontece, algo dá errado, sua reação é negativa, você está atraindo o momento seguinte de forma negativa; se sua reação é uma resposta, se diz: Bom, assim são as coisas; vamos observar isso.

O que vier em seguida irá refletir esse estado de consciência. A maioria das pessoas vivem todas suas vidas, presas a uma corrente em que as mesmas coisas negativas vão sempre acontecendo. Porque não se dão conte de que em todo momento, tem a liberdade de mudar suas vidas, mudando de atitude, reagindo de modo diferente ao que acontece; Sua reação presente determina o futuro. Não é o que lhe acontece, mas como você reage ao que lhe acontece, é o que determina o momento seguinte.

É assim que você pode mudar sua vida. No lugar de estar preso em um mau Karma por um longo tempo. Na verdade é muito fácil, só necessita estar consciente.

Aqui o Tao Te Ching fala de como a consciência coletiva afeta o planeta…

” Em harmonia com o Tao, o céu é claro e espaçoso. A Terra é sólida e plena. Todas as criaturas florescem juntas, felizes com aquilo que são, renovando-se infinitamente.
Quando o homem interfere no Tao, o céu se torna sujo e a Terra, pobre; o equilíbrio tomba e as criaturas se extinguem.
O mestre vê tudo com os olhos da compaixão, porque ele compreende o todo. Sua prática é contínua na humildade. Não brilha como jóia, mas se deixa moldar pelo Tao; é tão forte e comum como uma rocha.”

Belas imagens.

Quando os homens vivem desconectados da consciência superior, o Tao, o transcendente, a realidade, tudo que manifestam externamente reflete esta desconexão. E então, o planeta e todos a sua volta, sofrem com isso. Isso é um reflexo do estado de consciência.

Este princípio eterno, Lao Tse pode ver há 2.500 anos atrás. E isso implica também que a solução para o que acontece no planeta, não pode encontrar-se somente na dimensão externa. É claro, que devemos mudar as coisas com respeito a dimensão externa, mas a não ser que mudemos nosso estado de consciência habitual, não servirá de nada remover qualquer demônio que ande por aí á fora, porque aparecerá outra coisa que terá a mesma influência danosa sobre a natureza e o planeta.

Logo o fundamental é a mudança de consciência da humanidade. Ao invés de esperar que os outros mudem primeiro, lembre-se que a humanidade é você, a humanidade sou eu. A mudança de consciência deve acontecer em ti, em mim, então o planeta estará salvo. Isso é decisivo.

Aqui temos duas belas linhas: “O mestre… – o mestre significa o ser iluminado, o que está em contato com o Tao;(…)

“O mestre vê as partes com compaixão, porque compreende o todo.”

Ele compreende o todo porque está conectado com o todo. Podes olhar uma parte, em cada ser humano, ou cada uma das formas de vida, com compaixão, porque as reconhece como expressões, manifestações da vida única, a mesma que também se manifesta em si mesmo.

Expressões da vida única, consciência, que também é sua essência.

Quando não impomos pensamentos sobre a realidade, mas ao invés disso permitimos que a realidade se expresse livremente, por exemplo a uma flor ser como é, com o espaço, uma percepção espaçosa, o mesmo com outro ser humano, eis que surge a compaixão.

A compaixão tem uma dimensão mais profunda, o reconhecimento da unidade. É daí que provém a verdadeira compaixão. (…)

Eu Sou a vida! Sou a expressão da vida única! A consciência única. o Tao. Expressando-se a si mesmo por um tempo e através desta forma. E o mesmo poder da vida está aqui. Para que ter uma estrutura mental que me dê uma identidade, que me diga quem sou com definições, juízos, e que diz que “não sou bom o bastante” ou ” sou melhor que..”? Isso é desnecessário!
Como as vezes o chama no Tao Te Ching “bagagem desnecessária”. Andar por aí com uma bagagem desnecessária.

“Minha vida é tão pesada e difícil..Tenho uma vida muito dura..”
Onde está sua vida dura neste momento? Não consigo ver! Ela existe somente quando pensa nisso. Mas, onde ela está quando você a vê a partir do agora? É uma entidade imaginária! O “eu” consiste de pensamentos e opiniões, é imaginário. Irreal.
É maravilhoso dar-se conta de que no agora, não se tem carga nenhuma, nenhuma “minha vida”, você É a vida no agora. Eu sou a vida. Não preciso me definir mentalmente, como bom ou ruim, melhor que… tenho sucesso ou sou um fracassado. Tudo isso me afasta do poder que já está aqui.

O poder do Tao

É por isso que o livro diz, como nós vimos antes: Esvazie-se de tudo. Que significa, esvazie dessas ideias de quem és, que de outra forma de dominam. Jesus disse a mesma coisa: “Bem aventurados são os pobres em espírito.” Pobres de espírito significa que não levam bagagens internas. Bagagens de seus pensamentos, de quem são. A frase de Jesus, faz referência a aqueles que se sentem livres por dentro, não ficam aprisionados pelos pensamentos, e pelas identificações, nem em criar uma imagem de quem eles acreditam ser. Essas bagagens mentais se tornam a sua própria vida. E se chega a acreditar que podem perder sua vida. (…)

Você é a vida, não se pode separar da vida, isto é, não se pode dizer eu tenho uma vida! Quem é você, não é separado da vida. Você não tem uma vida, você é a própria vida. A mente lhe diz que você tem uma vida… isso é loucura! Mas normal..normal e louco.

Uma mais.

“Aquele que fica na ponta dos pés não tem estabilidade.
Aquele que está com pressa não vai longe.
Aquele que tenta brilhar, obscurece a própria luz.
Aquele que define a si mesmo, não pode saber quem é.
Aquele que tem poder sobre os outros, não pode apoderar-se de si mesmo.
Aquele que se prende ao trabalho não criará nada duradouro.
Se quiser estar em harmonia com o Tao, faz seu trabalho e logo deixe-o ir.”
“Aquele que fica na ponta dos pés não tem estabilidade.”
Olhe para mim!! Eu, minha vida! Ou então: Olha como estou infeliz! Ou olha como sou grandioso!
“Aquele que está com pressa não vai longe.”

Sempre olhando o seguinte. O que devo fazer agora? Sempre se arrastado entre um pensamento e o próximo. Qual será o seguinte pensamento para me preocupar?

Toda uma civilização estressada. Todos desconectados do Tao. Todos apressados. Não há mais tempo para nada!!
Aquele que está com pressa, não vai longe. Não chegará a parte alguma.

“Aquele que tenta brilhar, obscurece a própria luz.” Ao acreditar nos papéis que representa, ao identificar-se com a ideia de que se é especial.. Olhem-me!! Se afasta do poder do Tao.

Quando deixas de prestar atenção ao falso “eu”, o poder flui através de ti. Quando deixas de se identificar com o que fazer, porque não é você quem faz.(…)

Algo importante aqui:

Aquele que define a si mesmo, não pode saber quem é. É disso que estamos falando. Essas definições constantes de quem somos que trazemos em mente. Porque não ser simplesmente consciência? Ser a presença. Agora. Aí está o poder.
Que ensinamento maravilhoso.”

Originalmente publicado em:
http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2014/08/tao-te-ching-por-eckhart-tolle-12.html

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