A educação está em suas mãos. Qual é o lugar da disciplina na educação?

Pergunta: Qual é o lugar da disciplina na educação?

Krishnamurti: Eu diria nenhum. Um momento, explicarei depois. Qual é o propósito da disciplina? O que você quer dizer com disciplina? Você, sendo o professor, quando você disciplina, o que acontece?

Você está forçando, obrigando; há compulsão, mesmo delicada, mesmo gentil, o que significa conformidade, imitação, medo. Mas você dirá, “Como pode uma grande escola ser dirigida sem disciplina?” Não pode. Portanto, grandes escolas deixam de ser instituições educacionais.

São instituições rentáveis, para o patrão ou para o governo, para o diretor ou o dono. Senhor, se você ama seu filho, você o disciplina? Você o obriga? Força-o em um padrão de pensamento? Você o olha, não é?

Tenta entendê-lo, tenta descobrir quais são os motivos, os anseios, os impulsos, que estão por trás daquilo que ele faz; e compreendendo-o, você produz o ambiente correto, a quantidade correta de sono, a comida correta, a quantidade correta de brincadeira.

Tudo isso está implicado, quando você ama uma criança; mas nós não amamos as crianças porque não temos nenhum amor em nossos corações. Apenas criamos crianças. E naturalmente, quando você tem muitas, deve discipliná-las, e a disciplina se torna um caminho fácil nessa dificuldade.

Afinal, disciplina significa resistência. Você cria resistência contra aquilo que você está disciplinando. Você pensa que a resistência produzirá compreensão, pensamento, afeição? A disciplina só pode construir muros em sua volta. A disciplina é sempre exclusiva, ao passo que a compreensão é inclusiva. A compreensão chega quando você investiga, quando examina, quando explora, o que requer consideração, cuidado, pensamento, afeição.

Numa escola grande, tais coisas não são possíveis, mas apenas numa escola pequena. Mas escolas pequenas não são lucrativas para o dono particular ou para o governo e desde que você, que é responsável pelo governo, não está realmente interessado em seus filhos, que importa? Se você amasse seus filhos, não simplesmente como brinquedos, como coisas para diverti-lo um pouco e um aborrecimento depois, se você realmente os amasse, permitiria que todas estas coisas continuassem? Não gostaria de saber o que eles comem, onde dormem, o que fazem o dia inteiro; se batem neles, se são oprimidos, se são destruídos? Mas isto significaria uma investigação, consideração pelos outros, seja por seus próprios filhos ou os de seu vizinho; e você não tem consideração, seja por seus filhos, ou por sua esposa ou marido.

Assim, o problema está em suas mãos, senhores, não nas mãos de algum governo ou sistema.

The Collected Works, Vol IV Bombay 9th Public Talk 13th March, 1948

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