A Roda das Armas Afiadas – Um Treinamento Mahayana da Mente

1. Em selvas de ramos de plantas venenosas,
Embora próximos se ajardinem os medicamentos,
Se pavoneiam de beleza os pavões.
Os muitos pavões não acham agradável o jardim,
Mas prosperam na essência das plantas venenosas.
2. De modo semelhante, o Bodhisattva* valente
Permanece na selva das preocupações mundanas.
Não importa qual jovial o prazer mundano se ajardina,
Esses Valentes nunca estão a prazeres,
Mas prosperam na selva do sofrimento e dor.
3. Nós gastamos nossa vida inteira na procura de prazer,
Tremendo com medo ao mero pensamento da dor;
Assim desde que somos covardes, somos miseráveis.
Mas o Bodhisattva* valente aceita o sofrimento alegre,
E ganha da sua coragem verdadeira alegria e duradoura.

4. O desejo é a selva das plantas venenosas aqui.
Só o Valente, como os pavões, pode prosperar em tal tarefa.
Se seres covardes, como corvos, fossem tentar isto,
Como são gananciosos, podem perdem as suas vidas

*Tradicionalmente, um bodhisattva é qualquer pessoa que, movida por grande compaixão, gerou bodhicitta, que é o desejo espontâneo de atingir o mesmo status de Buda para o benefício de todos os seres sencientes.

Do livro A Roda das Armas Afiadas – Um Treinamento Mahayana da Mente – Por Dharmaraksita, você encontra o PDF na internet

Sobre o simbolismo do pavão no Budismo

 

No budismo tibetano, o pavão simboliza o bodisatva. Diz-se que o pavão se alimenta de plantas venenosas, transformando as toxinas nas cores radiantes de suas penas sem se envenenar.Assim, nós, que defendemos a paz, não podemos nos envenenar com a raiva, mas sim olhar com equanimidade aqueles que praticam a violência, permanecendo atentos ao nosso estado mental.

Se durante esse processo começarmos a sentir raiva, precisamos retroceder e recuperar a perspectiva compassiva. Sem raiva, talvez possamos transpor a terrível ilusão que faz brotar a violência e o sofrimento infernal.

Chagdud Tulku Rinpoche, em “Para abrir o coração

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