O que me causou interesse nesse livro imprescindível atualmente foi a menção da escuta atenta. Ele usa o termo ao falar sobre escutar o outro, no debate político, mas mesmo fora da política a escuta atenta pode ser quase que um modo de vida.
Porque ninguém parece escutar mais ninguém, falamos sozinhos ao que parece, o outro não te escuta, ele escuta o próprio pensamento argumentando, avaliando, julgando o que é dito, concorda, gosta ou desgosta. Não existe o ato de escutar puro. Há também um problema com a empatia. Ao só Se escutar a si mesmo o outro parece desaparecer, é irrelevante, e isso chega a ser cruel.
É algo para se pensar…
E.
“Ouvir atentamente é um ato político, à medida que só com ele as pessoas formam uma comunidade e se tornam capazes de discursar. Ele promove um nós. A democracia é uma comunidade da escuta atenta.”
…
“A crise atual da ação comunicativa pode ser atribuída ao metanível de que o outro está desaparecendo. A desaparição do outro significa o fim do discurso. Toma da opinião a racionalidade comunicativa. A expulsão do outro reforça a coação da autopropaganda de doutrinar a si mesmo com suas próprias ideias. Essa autodoutrinação produz infobolhas autistas que dificultam a ação comunicativa. Aumentando a coação à autopropaganda, espaços discursivos ficam cada vez mais recalcados por câmeras de eco, nas quais eu escuto sobretudo a mim mesmo falar. O discurso pressupõe a separação entre opinião e identidade próprias. As pessoas que não têm essa capacidade discursiva aderem de modo desesperado à sua opinião, pois senão ficariam ameaçadas de perderem sua identidade. Por esse motivo, a tentativa de dissuadi-las de suas convicções está condenada ao fracasso. Não escutam o outro, não escutam atentamente. O discurso, contudo, é uma práxis da escuta atenta. A crise da democracia é, antes que mais nada, uma crise da escuta atenta.”