Esse exercício pode ser praticado em qualquer momento do dia, de manhã, à tarde, à noite, de madrugada, sentado, de pé, deitado, durante a refeição ou enquanto se defeca. Quanto mais aqui, melhor. As palavras são simples. A «fórmula» da meditação também: ver para não sofrer. O praticante observa as variações de seu corpo, de sua mente, de seu humor: «ele sabe onde está». Ele observa seus caprichos, suas tristezas, suas alegrias, suas forças, suas fraquezas, suas idas e vindas, suas quedas e recaídas, suas retomadas e desvios. Quando é tomado por um impulso interno, ele sabe. Quando esse impulso é interrompido, ele também sabe. Quando sua mente está unificada e resplandecente, ele sabe. Quando ela está escura, confusa, dispersa, negligente, lânguida, desordenada, louca de desejo, caindo de sono, ele sabe. Algo que se assemelha a uma «consciência por trás» se instaura. Ela observa, nomeia, registra, guia, adverte: «Atenção, escuridão», «atenção, desejo», «atenção, confusão». O praticante sabe onde está. Se não sabe, ele se põe em alerta por não saber onde está.
Hervé Clerc no livro As coisas como elas são. Uma iniciação ao budismo comum.