Entregue-se confiante a Deus e se comporte como um tranquilo observador

Quando se surpreender perguntando, no silêncio de si mesmo: “Estarei melhorando? Quanto faltará para que eu fique completamente bom?”, reflita, e vai chegar à conclusão de que sua preocupação o está fazendo fixar-se na enfermidade.

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Da próxima vez que começar a sentir as primeiras emoções de uma crise, em vez de amedrontar-se e correr para as bolinhas, faça o oposto. Sente-se relaxado, sereno, corajoso, calmo, sem luta, e comece a tomar consciência de tudo que for acontecendo. Procure conhecer as causas. Nada de pânico. Nada de apiedar-se de si mesmo. Nada de esforços para resistir e vencer. Faça ishwarapranidhana ou seja, entregue-se confiante a Deus e se comporte como um tranquilo observador, sem qualquer participação. Faz de conta que a “coisa” se passa do outro lado de uma vitrina.

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Reflexão: Vou procurar conhecer-me sem disfarce. Não serei tão facilmente iludido por mim mesmo através da racionalização. Não terei medo nem vergonha de meus defeitos. Quero conhecê-los de frente e em profundidade. Por si mesmos, depois de desmascarados, se irão. De meus atos, desejos, interesses, tendências, emoções e sentimentos vou procurar conhecer as causas e o desenrolar. Faz de conta que sou um espectador de cinema, vendo a fita que sou eu mesmo, procurando não sofrer nem gozar ao ir vendo o que se passa. Vou conhecer-me. Para isto serei incansável, sempre vigilante, corajoso, tranquilo e isento.

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A desidentificação só é acessível aos que são capazes de se manterem imunes sem renunciar ao mundo ou dele fugir, mas, ao contrário, nele viver ativa e produtivamente.

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Diante de suas próprias desventuras, procure galgar um ponto em que, sereno e silente, possa observar emocionalmente isento o que está acontecendo. Quando interferir, seja para acertar. Procure ficar à distância da arrebentação da ressaca, que está abalando a humanidade.

José Hermógenes – Yoga para Nervosos