Mais trechos do livro Autocompaixão de Kristin Neff

Quando confrontados com a nossa imperfeição humana, podemos responder tanto com gentileza e cuidado quanto com julgamento e crítica. Uma pergunta importante a fazer é: quais são as qualidades de coração e mente que queremos incentivar em nós mesmos? Nós não conseguimos interromper os nossos pensamentos julgadores, mas não precisamos incentivá-los nem acreditar neles. Se mantivermos o nosso autojulgamento com gentileza e compreensão, a força do autodesprezo acabará por desaparecer e murchar, privado do sustento necessário para sobreviver. Temos o poder de viver com alegria e contentamento, respondendo ao nosso sofrimento com bondade. Embora esse hábito não seja ensinado pela nossa cultura social, a mudança é possível. Sei disso por experiência própria.

A autocompaixão honra o fato de todos os seres humanos serem falíveis.

Muitas vezes nós ficamos com medo e raiva quando nos concentramos em aspectos indesejáveis de nós mesmos ou de nossas vidas. Sentimos que somos impotentes e frustrados por nossa incapacidade de controlar as coisas: conseguir o que queremos ou ser quem queremos ser. Fechamo-nos contra as coisas como elas são e nos apegamos à nossa visão estreita de como as coisas deveriam ser. Todo ser humano está no mesmo barco. A beleza de reconhecer esse fato básico da vida – a luz no fim do túnel, por assim dizer –, é o que fornece uma visão profunda sobre a condição humana compartilhada.

Quando caímos na armadilha de acreditar que as coisas devem correr sempre bem, tendemos a pensar que as coisas saíram terrivelmente do controle quando não acontecem conforme o imaginado. Esse não é um processo de pensamento consciente, mas uma suposição oculta que colore nossas reações emocionais.

Assim como gostamos de nos sentir superiores e acima da média em termos de características pessoais, também gostamos de sentir que os nossos grupos são superiores aos outros.

Muitas pessoas têm medo de reconhecer a sua interligação essencial, pois isso significa que devem admitir não ter controle completo sobre a forma como pensam e agem.

Isso faz com que se sintam impotentes. No entanto, estar no controle é apenas uma ilusão. E é uma ilusão muito prejudicial, porque incentiva o autojulgamento e a culpa.

O que pensamos e sentimos parece ser uma percepção direta da realidade e esquecemos que estamos colocando uma visão pessoal nas coisas.

A consciência não muda. É a única coisa em nossa experiência de vigília que permanece imóvel e constante, o alicerce sereno no qual repousa a nossa experiência em constante mudança. As experiências variam continuamente, mas a consciência que as ilumina não.

Imagine um cardeal vermelho voando num céu azul claro. O pássaro representa um pensamento particular ou uma emoção que estamos experimentando, e o céu representa a atenção plena que detém o pensamento ou a emoção. A ave pode começar a dar voltas loucas, dar um mergulho de nariz, pousar no galho de alguma árvore ou o que quer que seja, mas o céu ainda está lá, imperturbável. Quando nos identificamos com o céu, e não com o pássaro – em outras palavras, quando a nossa atenção repousa na consciência em si, e não em pensamentos ou emoções particulares –, podemos nos manter calmos e centrados. Isso é importante porque, quando temos atenção plena, encontramos o nosso lugar de descanso – o nosso banco, como, às vezes, é chamado. Em vez de ter o nosso self preso e levado pelo conteúdo de consciência, ele permanece centrado na consciência.

Podemos perceber o que está acontecendo (um pensamento raivoso, um medo, uma sensação latejante nas têmporas) sem cair na armadilha de pensar que somos definidos por essa raiva, esse medo ou essa dor. Não podemos ser definidos por aquilo que estamos pensando e sentindo quando nossa consciência está ciente do que estamos pensando e sentindo. Afinal, quem é este ser consciente dos meus pensamentos e sentimentos senão eu?

“Sofrimento = Dor x Resistência”. Então acrescentou: “Na verdade, é uma exponencial, e não uma relação multiplicativa”. O que ele queria dizer era que podemos distinguir entre a dor normal das emoções difíceis da vida, o desconforto físico e assim por diante, e o sofrimento real – a angústia mental causada pela luta contra o fato de que a vida é por vezes dolorosa.

Uma vez que algo ocorreu, não há nada que você possa fazer para mudar essa realidade no momento presente. É assim que as coisas são. Você pode optar por aceitar esse fato ou não, mas a realidade permanecerá a mesma de qualquer maneira.

Não precisamos nos criticar por esses pensamentos desagradáveis ou sentir essas emoções destrutivas. Podemos simplesmente deixá-los ir embora. Se não perdermos tempo tentando justificá-los e reforçá-los, eles tendem a se dissipar por conta própria.

Ao contrário, quando um pensamento ou sentimento saudável surge, podemos mantê-lo na consciência de amor e deixá-lo florescer completamente. Há uma história muito

A atenção plena nos permite ver que nossos pensamentos e emoções negativos não necessariamente representam a realidade. Portanto, damos-lhes menos peso: nós os observamos, mas não necessariamente acreditamos neles. Dessa forma, emoções e pensamentos negativos ficam autorizados a surgir e desaparecer sem resistência, e conseguimos lidar com a vida com maior tranquilidade. Um método útil de relacionar

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