A Vida Observada – Antony de Mello

A Vida Observada

 “A vida não observada, não examinada, não vale a pena ser vivida, porque não é vida” dizia Sócrates.

É contraproducente fazer esforço para mudar, pois o que vai nos transformar é a verdade: temos de observar a verdade para compreender que nossa programação não permite que sejamos nós mesmos.

É preciso reconhecer todas as reações que surgem quan­do se olha para uma pessoa, para uma paisagem ou para si mesmo. É  necessário observar como se costuma reagir ante determinadas situações.

Deve-se olhar com objetivi­dade, como se fosse outra pessoa observando, tomando consciência do que acontece dentro e fora de si mesmo, com toda a atenção (como ao dirigir um carro). Isso deve ser feito sem julgamento qualitativo, porque, se dermos rótulos às coisas, não as veremos como elas são. É neces­sário entender as coisas, sem qualquer tipo de pré-julga­mento.

Precisamos compreender que, com a palavra, ou com o pensamento, temos o costume de rotular as coisas e as pessoas, e depois, como conseqüência disso, passamos a viver o personagem do rótulo, e não a pessoa em si.

Pôr -se em contato com a realidade é olhar para ela sem querer interpretá-la nem mudar nada, deixando que a realidade modifique a ordem das coisas, brilhando por si mesma.

Se não mudamos espontaneamente, é porque resistimos a isso. No momento em que descobrirmos os motivos da resistência, sem reprimi-Ia nem rejeitá-la, ela desaparecerá sozinha. Quando existe sensibilidade em nós, não é preciso violência para conseguir as coisas de que necessitamos, pois tudo é resolvido através do entendimento e da compreensão. E seremos até surpreendidos ao ver como as coisas se resolvem de acordo com a nossa compreensão da realidade, sem que tenhamos de lutar contra ela.

O reconhecimento da realidade é um convite ao crescimento pessoal e à mudança.

“Mudar é impossível. Permaneçam como estão. Ame a si mesmo tal como são. Não queiram mudar. Se a mudança de alguma coisa for possível, ela ocorrerá por si mesma, quando e se quiser.

Deixem-se a si mesmos em paz”.

Livro Auto-Libertação – Antony de Mello