Não saber

Sentir-se confortável com quem você é implica abraçar o que você não sabe. Numa sociedade baseada no conhecimento pode ser difícil admitir que não sabemos algo. Pode ser mais difícil ainda admitir que na verdade sabemos muito pouco. Pode causar muito embaraço essa ignorância. Pode dar muito orgulho saber das coisas. No entanto, na busca da verdade, entender as coisas de um jeito errado é pior do que não saber nada de nada. Se você compara o que sabe com o que não sabe, o que você sabe pode encher uma pequena xícara de chá e o que você não sabe pode encher o universo inteiro. O que você acha que sabe pode talvez encher um bule de chá.

Quando somos crianças estamos confortáveis com quem somos porque entendemos que não sabemos muita coisa. Ainda não aprendemos a ficar desconfortáveis com nós mesmos. Na escola, crianças podem ficar fascinadas ao ouvir seus professores, que aparentemente sabem das coisas, explicar o mundo para elas. Crianças vão a escola para aprender. Eles aparecem logo de manhã por lá e declaram o quão pouco sabem das coisas e se abrem para descobrir o mundo. No final do dia voltam para casa sabendo um pouco mais, mas ainda é nada comparado ao que não sabem. Isso continua por toda a vida. Nós aprendemos, aprendemos e aprendemos e nem arranhamos a superfície do que não sabemos.

Quando estamos desconfortáveis conosco precisamos desaprender essa maneira de pensar que nos deixa desconfortáveis. Precisamos nos recordar que nós não sabemos quem ou o que somos. Reconhecer que não sabemos o que somos pode ser assustador, porque estamos tão acostumados a fazer de conta que sabemos de algo que não sabemos. Mesmo que estejamos desconfortáveis em ser quem somos, isso é tudo o que sabemos. Reconhecer que não sabemos tudo pode ser libertador porque deixamos de fazer de conta ser algo que não somos. Podemos simplesmente ser, descobrindo o mundo. O chá está quente.

Traduzido de http://zenmister.tumblr.com/post/173075832501/dont-know