Durante muitos anos, a prática refere-se a fortalecer o observador.

Quanto mais observarmos nossos pensamentos e ações, mais nosso aspecto principal tenderá a desaparecer. Quanto mais se desfaz, mais sentimo-nos disponíveis para vivenciar o medo que apareceu antes de tudo. Durante muitos anos, a prática refere-se a fortalecer o observador. Com o tempo, estaremos disponíveis para fazer o que estiver pela frente, sem resistência, e esse observador desaparecerá. Não precisaremos então do observador para mais nada; podemos ser a própria vida. Quando esse processo estiver completo, a pessoa será um ser plenamente realizado, um buda — embora eu ainda não tenha conhecido ninguém cujo processo tenha ficado completo.

Sentar para a prática é como nossa vida diária: o que aparece quando nos sentamos é o pensamento a que queremos nos apegar, o nosso aspecto principal. Se gostamos de fugir da vida, encontraremos em nossa prática sentada uma maneira de nos esquivar do sentar. Se gostamos de nos preocupar, ficaremos preocupados; se gostamos de fantasiar, iremos fantasiar. Aquilo que fazemos em nossa prática sentada é como o microcosmo do resto de nossas vidas. Nossa prática sentada mostra-nos como estamos levando nossa vida e nossa vida mostra-nos o que fazemos quando nos sentamos para a prática.

Charlotte Joko Beck em  Nada de Especial Vivendo Zen – um livro magnífico escrito por alguém que realmente ensina a prática. Estou gostando demais!