Ensinamentos de Epicteto

Ensinamentos de Epicteto

Apegue-se ao que é espiritualmente superior sem fazer caso do que as outras pessoas pensem ou façam. Mantenha-se fiel às suas verdadeiras aspirações, não importa o que esteja acontecendo em torno de você.

É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.

A verdade triunfa por si mesma; a mentira necessita sempre de cumplicidade.

Nada de grande se cria de repente.

Perturbam aos homens não as coisas, senão a opinião que delas têm.

Não busque a felicidade fora, mas, sim, dentro de você; caso contrário nunca a encontrará.

Qualquer pessoa capaz de irritá-lo se torna seu mestre; ela consegue exasperá-lo somente quando você se permite ser perturbado por ela.

Aprenda sobre a vontade da Natureza. Estude-a, preste atenção a ela e, então, torne-a sua.

Se sou forçado a morrer… a ir para a prisão… a sofrer o exílio… o que me impede que seja alegremente e de bom humor?

Não espere que as coisas aconteçam como você deseja, mas tolere [estoicamente, com imperturbabilidade] que elas aconteçam como acontecem ou como têm de acontecer, e você permanecerá bem.

Lembre de que você é um ator em uma trama, do modo como apraz ao autor designá-lo. Se seu papel é curto, represente-o curto; se é longo, represente-o longo. Se ao autor agrada que você atue como um homem pobre, como um coxo, como um governador ou como um soldado, cuide para representar da forma indicada, naturalmente. Pois esta é a sua obrigação: representar bem o personagem que lhe foi designado…

O mal não é um elemento natural no mundo, nos acontecimentos ou nas pessoas. O mal é um subproduto da negligência, da preguiça e da distração; surge quando perdemos de vista nossa verdadeira meta na vida.

Adquira logo um caráter e uma forma para você se conduzir, de tal forma que possa a conservar, seja sozinho, seja acompanhado. Seja sempre silencioso ou fale simplesmente o que for necessário; e fale sempre em poucas palavras.

A vida não é uma série de episódios aleatórios e sem sentido, mas um todo ordenado e refinado que segue leis, em última análise, compreensíveis [e justas, ainda que essa justiça não possa ser compreendida pela maioria dos seres humanos].

Se você está tocado pelo surgimento de um prazer prometido, cuide para não ser sobrepujado por ele… Coloque em seu pensamento duas coisas: aquilo de que desfrutará prazer e o que isso pode lhe acarretar de arrependimento e de reprovação assim que dele desfrutar; e ponha, a seguir, em oposição a isso, como você iria se alegrar… se se abstivesse. Muito embora isso lhe pareça uma satisfação oportuna, preste atenção se a sedução e a força agradável e atrativa não o dominarão; mas calcule, ao contrário, como seria bem melhor ter a consciência de haver ganho uma tão grande vitória.

A presunção e a empáfia são incompatíveis com o caminho de um verdadeiro filósofo [ou de um Iniciado].

Siga todos os seus impulsos generosos. Não os questione, especialmente quando um amigo precisar de você. Aja em benefício dele. Não hesite!

A condição e a característica de um filósofo é que ele espera toda dor ou benefício de si mesmo… Ele suprime todo desejo dentro de si e transfere seu repúdio apenas para aquelas coisas que frustram o uso adequado da sua própria capacidade de escolha e o exercício de seus poderes ativos para algo que é verdadeiramente bom; se ele aparenta ser estúpido ou ignorante, ele não se importa. Em uma palavra: ele vigia a si mesmo como um inimigo, alguém em uma emboscada.

Dentro da Ordem Divina, cada um de nós tem um compromisso particular. Descubra qual é o seu e siga-o fielmente.

Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas; mas, sim, crer nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres.

Toda questão tem dois lados, um dos quais agüentará se o pegarmos, e outro, não. Se seu irmão pecou contra você, não pegue a questão por este lado – o de que ele pecou contra você – mas sim por este outro: que ele é seu irmão, seu companheiro de nascença [e de Jornada], e você a estará pegando pelo lado que agüentará o peso.

Os que buscam a Sabedoria [ShOPhIa4] acabam compreendendo que, embora o mundo às vezes nos recompense por motivos errados ou superficiais, o que realmente importa é quem somos essencialmente e como estamos evoluindo.

Não fale sobre suas aspirações espirituais com pessoas que não as apreciarão. [Não faça proselitismo]. Mostre seu caráter e seus compromissos com dignidade pessoal somente através de suas ações.

O primeiro passo para viver com Sabedoria é renunciar à vaidade.

Se alguém disser que certo indivíduo falou mal de você, não procure justificações para o que lhe é censurado; antes, tem como norma simplesmente as seguintes palavras: Esse indivíduo ignora todos os outros defeitos de que sou portador. Assim, só se dá a murmurar os meus defeitos que lhe são conhecidos…

A felicidade e a liberdade começam com a clara compreensão de um princípio: algumas coisas estão sob nosso controle, outras não. Só depois de lidar com essa questão fundamental e aprender a distinguir entre o que você pode e o que você não pode controlar, é que a tranqüilidade interna e a eficácia externa se tornam possíveis.

A boa fortuna, como os frutos maduros, deve ser gozada antes que seja tarde.

Só a educação liberta.

O caminho para a felicidade é parar de se preocupar com o que está além do nosso poder.

Dedique ao menos metade de suas energias para se livrar de desejos ocos, e muito breve verá que ao fazê-lo há de receber maior realização e mais felicidade.

Se você pretende fazer alguma coisa, transforma em hábito a sua pretensão. Se não pretende, você deve se abster de fazê-la.

Evitemos fazer o papel de zombeteiros e de trocistas, porque tais defeitos nos farão cair insensivelmente nas maneiras baixas e grosseiras, e farão com que as pessoas percam a consideração que sentem por nós.

Fortaleça-se com contentamento, pois isto é uma fortaleza inexpugnável.

Na prosperidade é fácil encontrar amigos; mas na adversidade é a mais ingrata das tarefas.

Nada de grande se cria de repente.

O homem sábio é aquele que não se entristece com as coisas que não tem, mas se rejubila com as que tem.

Se se apresentar uma oportunidade de falar acerca de uma questão de verdadeira importância na presença de ignorantes, você deverá se guardar de fazê-lo, pois há grande perigo em manifestar, imediatamente, aquilo em que não se meditou adequadamente. Se, por acaso, alguém censurá-lo e disser que você nada sabe, se tal censura não molestá-lo nem feri-lo, será certo que você começará a ser um filósofo desde tal momento. As ovelhas não vão mostrar aos pastores o que comeram; pelo contrário, depois de bem digerido o pasto dão-lhes lã e leite. Do mesmo modo, você não deve malgastar, entre ignorantes, belas máximas; procure digeri-las e dá-las a conhecer por meio dos seus atos.

Qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão.

Jamais andam juntas a loucura e a liberdade. A liberdade não é uma coisa somente belíssima, senão também racional, e não há nada mais absurdo nem mais irracional do que desejar temerariamente e pretender que as coisas se verifiquem do modo pelo qual as pensamos. Quando tenho de escrever o nome próprio Díon, devo escrevê-lo não como me agradaria, mas tal qual é, sem a mudança de uma única letra. Sucede o mesmo em todas as artes e ciências. E, porventura, você quer que na maior e mais importante de todas as coisas – que é a liberdade – impere o capricho e a imaginação? Não, meu amigo, a liberdade consiste em querer que as coisas sucedam não como as desejamos, mas como são.

Desconfie das convenções sociais. Assuma a sua própria maneira de pensar. Desperte do entorpecimento causado pelos hábitos adotados sem reflexão.

Você quer se parecer ao total dos homens, como se parece um fio da sua túnica aos demais fios que a compõem; mas eu quero esta faixa de púrpura, que não somente é bela, como também embeleza tudo aquilo a que se aplica. Por que, pois, você me aconselha a ser como os outros? Se eu fora como o fio, não seria como a púrpura.

Quando você se ofender com as faltas de alguém, vire-se e estude os seus próprios defeitos. Cuidando deles, você esquecerá a sua raiva e aprenderá a viver sensatamente.

Se falarem, com fundamento, mal de você, você deve se corrigir. Do contrário, ria e não faça caso.

Em tudo que agrada à alma, ou suprime um desejo ou é amado. Você deve se lembrar de acrescentar isto: qual é a natureza de cada coisa, a começar da menor? Se você ama um vaso de terra, diga apenas que é um vaso de terra que você ama, para que, quando ele se quebrar, você não seja perturbado. Se você está a beijar o seu filho ou a sua mulher, diga apenas que é um ser humano quem está a beijar, para que, quando sua mulher ou seu filho morrerem, você não seja perturbado.

Se o seu papel é de leitor, leia. Se é de escritor, escreva.

Você empalidece, treme ou se perturba quando vai ver um príncipe ou um outro ilustre senhor? — Como me receberá? Como me ouvirá? Vil escravo! Ele o receberá e o ouvirá como quiser; tanto pior para ele se acolher mal um homem prudente. Pode você, por acaso, sofrer pelo erro de outrem? — Como lhe falarei? Você falará como lhe aprouver. — Tenho medo de me perturbar. Não sabe falar com discrição, com prudência e com livre dignidade? Quem lhe aconselhou a temer um homem? Zeno não temeu Antígono, mas Antígono temeu Zeno. Perturbou-se Sócrates quando falou aos tiranos e aos seus juízes? Tremeu Diógenes quando falou a Alexandre, a Filipe, aos piratas ou ao amo que o havia comprado?

Todos os acontecimentos contêm algo vantajoso para você – se você quiser procurar!

Você vai ao anfiteatro e logo se interessa e deseja que tal ator ou tal atleta seja coroado. Querem os demais que seja outro o que alcance a vitória. Aborrece-lhe essa contradição, por você ser pretor e pretender que todos cedam. Mas não têm os outros opinião própria? Não têm vontade e o mesmo direito de se ofender por você se opor ao que se lhes afigura como justo? Se você quiser permanecer tranqüilo e jamais encontrar oposição, não deseje a coroa senão a quem seja coroado. Ou se você quer ser dono de entregá-la a quem mais lhe aprouver, celebre jogos em sua casa, e então, com a sua própria autoridade, poderá publicar: este ou aquele venceu nos jogos píticos, ístmicos ou olímpicos. Em público, porém, não arrogue o que lhe não pertence; e deixe em liberdade os sufrágios.

Não podemos buscar nosso bem maior sem necessariamente promover, ao mesmo tempo, o bem dos outros. Uma vida que se limita a interesses pessoais não pode ser submetida a qualquer avaliação respeitável.

A autêntica felicidade é sempre independente de condições externas.

A liberdade é o único objetivo que tem valor na vida.

Você cobre de injúrias uma pedra. Que proveito você terá? A pedra não compreenderá nada do que você disser. Imite a pedra e não dê ouvidos às injúrias.

Zele por este momento. Mergulhe em suas particularidades. Seja sensível ao que você é, ao seu desafio, à sua realidade. Livre-se dos subterfúgios. Pare de criar problemas desnecessários para si mesmo. Este é o tempo de realmente viver; de se entregar por completo à situação em que você está agora.

Conserve bem o que é seu e não inveje ninguém. Assim, você será feliz.

Lembre-se de que o desejo contém em si a expectativa de obter aquilo que você deseja. Quanto à expectativa na aversão [distanciar-se de uma coisa], que você não caia naquilo que deseja evitar; aquele que falha em seu desejo é infortunado, e o que cai no que queria evitar é infeliz. Se, pois, você aspira evitar apenas o que é contrário à sua natureza e que está em seu poder, não será envolvido por nada daquilo que você evitaria. Mas se você enseja evitar a doença, a morte ou a pobreza, será infeliz. Abandone, portanto, a aversão por todas as coisas que não estão em seu poder, e a aplique sua energia nas coisas que estão em seu poder. Mas destrua completamente o desejo. Pois, se você deseja qualquer coisa que não está em seu poder desejar, você se tornará infortunado; mas se você deseja as coisas que estão em seu poder desejar, e que seriam boas para desejar, nada tem que o impeça. Contudo, empregue somente o poder de ir em direção a um objeto e de se afastar dele; e esses poderes, de fato, empregue só um pouco, e com exceções e com remissão.

As pessoas ficam perturbadas, não pelas coisas, mas pela imagem que formam delas.

A alma reluta em ser privada da verdade.

Dos objetos, alguns estão em nosso poder e outros não. No nosso poder estão a opinião, o movimento em direção a alguma coisa, o desejo e a aversão (o movimento contrário a alguma coisa), e, em suma, quaisquer que sejam nossos próprios atos. Não estão sob nosso poder o corpo, a propriedade, a reputação, as decisões do magistrado, e, em suma, quaisquer que não sejam os nossos próprios atos. E o que está sob nosso controle é livre por natureza, não submetido a restrições nem estorvos; mas aquilo que não está sob nosso controle é fraco, servil, submetido a restrições e controlado por outros. Lembre-se, pois, que se você considera que as coisas que são naturalmente servis são livres, e as coisas que estão sob o controle dos outros estão sob o seu, você ficará embaraçado e lamentará, será perturbado e imputará culpa a outros homens e também aos deuses; mas se você considera que o que depende de você apenas a você pertence, e se considera que o que é de outrem, como realmente o é, pertence somente a outrem, homem algum jamais irá constrangê-lo, nenhum homem o embaraçará e a nenhum homem você culpará ou acusará; você nada fará involuntariamente (contra a sua vontade), nenhum homem será capaz de lhe causar mal e homem nenhum será seu inimigo, pois nenhum mal você poderá sofrer.

O Sol não espera que lhe supliquem difundir luz e calor. Imite-o e faça todo o bem que puder, sem esperar que lhe implorem.

Quando perguntavam a Sócrates de que país ele era, não respondia que era cidadão de Atenas, mas cidadão do mundo.

Pratique sozinho, pelo amor de Deus, em situações simples, e, só então, aborde as situações mais complexas.

Acusar os outros pelos próprios infortúnios é um sinal de falta de educação; acusar-se a si mesmo mostra que a educação começou; não acusar nem a si nem aos outros mostra que a educação está completa.

Só os homens que se educam são livres.

Para tudo que parecer desagradável, pense: Isso é só aparência e de modo algum o que parece ser.

Faça o possível para ser dono dos seus desejos.

Abra os olhos: veja as coisas como elas são e preserve-se, assim, da dor causada pelos falsos apegos os estragos inevitáveis.

O que fazemos é menos importante do que a maneira como o fazemos.

Um dos sinais que indicam o início do nosso progresso moral é a extinção gradual da culpa.

Crie o seu próprio mérito.

É preferível morrer de fome mas livre de desgostos e medos, a viver na abundância acossado por preocupações, temores, desconfianças e desejos incontroláveis.

A virtude não é uma questão de graus; a virtude é um absoluto. [Um Imperativo Categórico].

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s