Como encarar os medos de acordo com o Budismo

Abaixo os trechos de um livro de Thich Nhat Hanh que mostra o problema dos medos de acordo com o Budismo, como encarar, como conviver e mais importante sobre como superar. Um livro que pode mudar sua vida e sua visão sobre a questão dos nossos medos que nos impedem de viver uma vida mais plena e alegre. É um livro lindo!

“A única forma de atenuar o medo e ser verdadeiramente feliz é reconhecer que o medo existe e olhar profundamente para a origem dele. Ao invés de tentar fugir do nosso medo, podemos convidá-lo a subir à nossa consciência para olhá-lo com clareza e profundidade. Temos medo das coisas exteriores a nós que não conseguimos controlar. Preocupamo-nos se vamos adoecer, envelhecer e perder as coisas que mais valorizamos. Tentamos nos agarrar às coisas que damos importância: nossa posição, nossa propriedade, as pessoas que amamos. Mas agarrar firme não alivia o nosso medo. Eventualmente, um dia, teremos que largar tudo e todos. Não podemos levá-los conosco. Podemos pensar que, ignorando nossos medos, eles irão embora. Mas se nós escondermos nossas preocupações e ansiedades em nossa consciência, elas continuarão a nos afetar e a nos trazer mais aflição. Temos muito medo de ser impotentes. Mas temos o poder de compreender profundamente nossos medos, e assim o medo não consegue nos controlar. Podemos transformar nosso medo. A prática de viver inteiramente no momento presente – que chamamos de consciência plena – pode nos dar a coragem de enfrentar nossos medos para deixarmos de ser comandados e ameaçados por eles. Estar consciente significa compreender profundamente, tocar a nossa verdadeira natureza de interexistência e reconhecer que nada jamais está perdido.”

“Portanto, não pense que os perigos vêm somente de fora. Eles vêm de dentro. Se não reconhecermos e olharmos profundamente para os nossos próprios medos, podemos atrair perigos e acidentes para nós. Todos nós experimentamos medo, mas se pudermos compreender profundamente nosso medo, seremos capazes de nos libertar das suas garras e tocar a alegria. O medo nos mantém focados no passado ou preocupados com o futuro. Se pudermos reconhecer nosso medo, podemos compreender que, neste exato momento, estamos bem. Hoje, neste exato momento, ainda estamos vivos, e nossos corpos funcionando maravilhosamente. Nossos olhos ainda conseguem ver o lindo céu. Nossos ouvidos ainda conseguem ouvir as vozes das pessoas que amamos.”

“A primeira parte da observação do nosso medo é simplesmente convidá-lo a entrar em nossa consciência sem julgamento. Nós apenas reconhecemos gentilmente que ele existe. Isto já traz muito alívio. Depois, quando nosso medo tiver se acalmado, nós podemos abraçá-lo com ternura e examinar profundamente suas raízes, suas origens. A compreensão das origens de nossas ansiedades e medos nos ajudará a dissipá-los. Será que nosso medo está vindo de algo que está acontecendo neste exato momento, ou este é um medo antigo, desde quando éramos pequenos, e que viemos guardando dentro de nós? Quando praticamos convidando nossos medos a virem à tona, tornamo-nos conscientes de que ainda estamos vivos, de que ainda temos muitas coisas para valorizar e desfrutar. Se não estivermos ocupados negando ou controlando nosso medo, podemos desfrutar a luz do sol, a neblina, o ar e a água. Se conseguir olhar profundamente para o seu medo e ter uma visão clara dele, você pode então realmente viver uma vida que vale a pena ser vivida. O nosso maior medo é o de quando morrermos nos transformarmos em nada. Para estarmos realmente livres de medo devemos contemplar profundamente a dimensão última para compreender que nossa verdadeira natureza não nasce e não morre. Precisamos nos libertar da ideia de que somos apenas nossos corpos mortais. Quando compreendemos que somos mais do que nossos corpos físicos, e que não viemos do nada e não desapareceremos em inexistência, nós nos libertamos do medo.”

“Viver conscientemente no presente não exclui fazer planos. Apenas significa que você sabe que é inútil perder-se em preocupações e medos concernentes ao futuro. Se estiver estabelecido no momento presente, você consegue trazer o futuro para o presente para olhá-lo profundamente sem se perder em ansiedade e incerteza. Se estiver verdadeiramente presente e souber cuidar do momento presente da melhor maneira possível, você já estará fazendo o melhor que pode pelo futuro. Isto também é verdade com relação ao passado. O ensinamento e a prática da consciência plena não proíbe a investigação profunda do passado. Mas se nos deixarmos mergulhar em arrependimentos e aflições relativos ao passado, isto não é a correta consciência plena. Se estivermos bem-estabelecidos no momento presente, podemos trazer o passado para o presente e examiná-lo profundamente. Você pode muito bem examinar o passado e o futuro enquanto estiver estabelecido no momento presente. De fato, você pode aprender mais com o passado e planejar melhor o futuro da melhor maneira se estiver estabelecido no momento presente.”

“Muitas pessoas se esquecem do próprio corpo. Elas vivem num mundo imaginário. Elas têm tantos planos e medos, tantas agitações e sonhos, que não vivem em seus corpos. Enquanto estivermos aprisionados em medo e tentando planejar uma fuga do medo, não somos capazes de ver toda a beleza que a Mãe Terra nos oferece. A consciência plena lhe lembra de retornar à sua inspiração e estar totalmente com sua inspiração, e de estar totalmente com sua expiração. Traga sua mente de volta ao corpo e esteja no momento presente. Olhe profundamente para o que está diante de você e que é maravilhoso no momento presente. A terra é tão poderosa, tão generosa e tão sustentadora. Seu corpo é tão maravilhoso. Quando tiver praticado e estiver firme como a terra, você enfrentará sua dificuldade sem rodeios e ela começará a se dissipar.”

“Você gostaria de banir a preocupação e livrar-se dela, porque sabe que, quando se preocupa, não consegue estar em contato com as maravilhas da vida nem consegue ser feliz. Por isso você fica com raiva da sua preocupação; você não a quer. Mas preocupação é uma parte sua; por isso, quando a preocupação surgir, você tem que saber como administrá-la com ternura e tranquilidade. Você consegue fazer isto se tiver energia de consciência plena. Você cultiva a energia de consciência plena respirando conscientemente, e andando conscientemente, e com esta energia você pode reconhecer e abraçar ternamente sua preocupação, medo e raiva.”

medo-sabedoria-indispensavel-para-transpor-a-tempestade-thich-nhat-hanhTrechos do livro Medo – Sabedoria Indispensável para transpor a tempestade – Thich Nhat Hanh

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