Pare de pensar
e seus problemas acabam.
Qual é a vantagem do sim sobre o não ?
Qual é a vantagem do sucesso sobre o fracasso ?
Você precisa valorizar
o que os outros valorizam ?
Evitar o que os outros evitam ?
Que ridículo!
Os outros são animados,
como se estivessem num desfile.
Só eu não me importo,
só eu sou sem expressão,
como um bebê antes de saber sorrir.
Os outros tem o que precisam;
só eu não possuo nada.
Só eu vagueio
como alguem sem lar.
Eu pareço um idiota,
minha mente é tão vazia.
Os outros são brilhantes,
só eu são obscuro.
Os outros são espertos,
só eu sou bobo.
Os outros tem um propósito,
só eu não sei.
Eu vagueio com uma onda no oceano,
eu sopro sem rumo como o vento.
Eu sou diferente das pessoas comuns.
Eu bebo do seio da Grande Mãe.
Lao Tsé no Tao Te Ching
Textos que podem ajudar:
Ter uma mente silenciosa é uma das coisas mais difíceis deste mundo. Não se pode “consegui-la”. Às vezes acontece espontaneamente, quando o pensamento é completamente entendido e todo o mecanismo é visto em operação. Nesse estado — e somente neste estado — podemos dar plena atenção a cada movimento da mente.
Mas “dar atenção ” é sinônimo de “pensar a respeito de cada pensamento?” Certamente que se penso sobre meus pensamentos, contribuo para o caos. Como o pensar implica avaliação, justificação, comparação e assim por diante, o pensar simplesmente dá continuidade ao pensamento. Quando eu tenho um problema, que é que lhe dá continuidade, que é que me faz levá-lo comigo a toda a parte? É pensar no problema; isso lhe dá continuidade, não é mesmo? E não é exatamente o fato de andar com problemas em toda a parte, de alimentar conflitos, que impede a libertação criadora?
Assim, o que se requer é observar — meramente observar — sem verbalizar, sem classificar como bom ou mau, como isto ou aquilo — que são as nossas reações normais. Então ao aparecer mais pensamentos fugídios, não os consideremos distrações, como quando a mente procura concentrar-se, mas demos a esses novos pensamentos e imagens plena atenção. E não importa se um ou dois pensamentos nos escapam; o ponto principal que devemos entender é que a ação da própria observação pura, sem nenhuma forma de mentalização que a acompanhe, tira a continuidade do pensamento, e a mente se torna silenciosa sem nenhuma forma de coerção recebida de fora.
O Pensamento Correto
Existem quatro práticas relacionadas ao Pensamento Correto:
(1) “Você tem certeza?” – Se houver uma corda em seu caminho e você enxergar uma cobra, o medo inevitavelmente surgirá. Quando mais deturpada for sua percepção, mais incorreto será seu pensamento resultante. Por favor, anote as palavras “Você tem certeza?” em uma grande folha de papel e pendure em algum lugar bem visível, onde não possa deixar de ver. E repita esta pergunta inúmeras vezes. As percepções errôneas geram pensamentos incorretos e muito sofrimento desnecessário.
(2) “O que estou fazendo?” – Às vezes pergunto a um dos meus alunos o que ele está fazendo, para ajudá-lo a largar os pensamentos sobre o passado ou sobre o futuro e retornar ao momento presente. Pergunto para ajudá-lo a existir – aqui e agora. Para responder, ele só precisa sorrir. Um sorriso é a única coisa que demonstraria sua real presença.
Quando nos perguntamos o que estamos fazendo, fica mais fácil vencer o hábito de querer terminar tudo rapidamente. Sorria para si mesmo e diga: “Lavar este prato é a coisa mais importante de minha vida.” Quando se perguntar, “O que estou fazendo?”, reflita seriamente sobre a questão. Caso os pensamentos o arrastem para outras paragens, você precisa de mais atenção plena para impedir que isso aconteça. Quando você está realmente presente, lavar os pratos pode ser uma experiência profunda e extremamente agradável. Mas se você lava os pratos pensando o tempo todo em outra coisa, está perdendo tempo e provavelmente deixando de lavar bem os pratos. Se não estiver presente, nem que lave 84.000 pratos não terá mérito.
O imperador Wu perguntou a Bodhidharma, o fundador do zen budismo na China, quanto mérito ele havia conquistado ao construir templos por todo o país. Bodhidharma respondeu: “Mérito nenhum.” Mas se você lavar um único prato com atenção plena, se construir um pequeno templo enquanto permanece inteiramente no momento presente – sem querer estar em nenhum outro lugar, nem desejoso de fama ou reconhecimento -, o mérito deste ato será enorme, e você se sentirá feliz. Pergunte sempre a si mesmo: “O que estou fazendo?” Quando você aplica a plena atenção ao que está fazendo, sem ser arrastado por seus pensamentos, torna-se uma pessoa feliz e um instrumento de ajuda para os outros.
(3) “Alô força do hábito!” – Nós tendemos a ser fiéis aos nossos hábitos, mesmo aqueles que provocam sofrimento. O hábito de trabalhar demais é um bom exemplo. No passado, nossos ancestrais precisavam trabalhar o tempo todo simplesmente para colocar comida na mesa. Mas hoje em dia temos uma forma de trabalhar compulsiva, que nos impede de ter um contato maior com a vida. Pensamos em trabalho o tempo todo, e não nos concedemos tempo nem para respirar. Precisamos encontrar momentos para contemplar as flores de cerejeira e para tomar nosso chá com atenção plena. Nossa forma de agir depende da forma de pensar, e a forma de pensar depende dos hábitos. Quando entendemos isso, só precisamos dizer: “Alô força do hábito!”, e nos tornarmos amigos dos nossos padrões de pensamento e de ação. Quando aceitamos os pensamentos que estão enraizados dentro de nós sem nos sentirmos culpados, eles perderão grande parte de seu poder sobre nós. O Pensamento Correto sempre conduz à Ação Correta.
(4) Bodhichitta – Nossa “mente de amor” é o desejo profundo de cultivar a compreensão dentro de nós, para poder ser um veículo de felicidade para os outros. É a força motivadora por trás da vida consciente. Tendo a bodhichitta como alicerce dos pensamentos, tudo o que fizermos ou dissermos ajudará os outros a se libertarem. O Pensamento Correto acaba produzindo o Esforço Correto.