Somente a compaixão é capaz de curar a raiva

“Você só pode cometer um erro quando se esquece que a outra pessoa está sofrendo. Temos a tendência de acreditar que só nós sofremos, e que a outra pessoa está feliz por nos fazer sofrer.

Quando achamos isso, fazemos coisas más e cruéis para magoar o outro. A consciência de que a outra pessoa sofre muito, ajudará você a ouvir profundamente.


A compaixão se torna possível e você consegue mantê-la viva enquanto escuta. Agindo assim, você será um excelente terapeuta para o outro.

Talvez a outra pessoa seja muito crítica e diga palavras de acusação, mostrando-se amarga.

No entanto, como a compaixão está em você, essas atitudes não afetam tanto.O néctar da compaixão é maravilhoso.

Se você se empenhar em mantê-lo vivo, estará garantindo sua proteção. O que a outra pessoa diz não desencadeará raiva e irritação em você, porque a compaixão é o verdadeiro antídoto da raiva.

Somente a compaixão é capaz de curar a raiva.

É por isso que a prática da compaixão é maravilhosa.

Só é possível existir compaixão quando a compreensão está presente.

Compreensão de que? O entendimento de que a outra pessoa sofre e precisa da minha ajuda.(…)

A raiva é uma coisa viva.
Ela brota e precisa de tempo para abrandar.

Quando você desliga um ventilador, ele continua a girar durante algum tempo antes de parar. A raiva também é assim. Não espere que a outra pessoa pare imediatamente de sentir raiva. Deixe que ela desapareça aos poucos, lentamente.

A paciência é a marca do verdadeiro amor. Se quisermos amar, precisamos aprender a ser pacientes, tanto com os outros quanto com nós mesmos.

A prática de abraçar a raiva requer tempo, mas, se você praticar durante apenas cinco minutos a respiração consciente, o andar consciente e abraçar sua raiva, poderá alcançar um resultado eficaz. Se cinco minutos não forem suficientes, leve dez. e se dez não bastarem, leve quinze.

Leve o tempo que precisar.(…) Quando está chovendo, parece que não existe a luz do sol. Mas se ultrapassarmos as nuvens, veremos que a luz está sempre presente. Mesmo num momento de raiva ou desespero, nosso amor continua presente.

Nossa capacidade de comunicação, de perdão, de sentir compaixão, ainda existe.

Tenha certeza: somos mais do que a nossa raiva, mais do que o nosso sofrimento.Se você souber que tem dentro de si a capacidade de amar, compreender e sentir compaixão, não sentirá desespero quando chover.

Você sabe que a chuva está presente, mas a luz do sol continua existindo em algum lugar e, quando a chuva parar, o sol voltará a brilhar.

Se nos momentos de raiva você conseguir lembrar que os sentimentos positivos continuam dentro de você e da outra pessoa, saberá que é possível abrir caminho para eles, de modo que o que há de melhor em vocês volte a se manifestar.”
Thich Nhat Hanh em The heart of undestanding

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