Observação não é desapego – Krishnamurti

Observação não é desapego

Uma mente que é indiferente está consciente da pequenez de nossa civilização, da pequenez de nosso pensamento, das relações horríveis; está consciente da rua, da beleza de uma árvore, ou de um belo rosto, um sorriso; e ela não nega nem aceita isto, mas apenas observa – não intelectualmente, não friamente, mas com aquela indiferença afetiva calorosa. Observação não é desapego, porque não existe apego. Só quando a mente está apegada – à sua casa, à família, a algum emprego – você fala sobre desapego. Mas, você sabe, quando você está indiferente, há uma doçura com isto, há um perfume com isto, há uma qualidade de tremenda energia, este pode não ser o significado dessa palavra no dicionário. A pessoa tem que ser indiferente – à saúde, à solidão, ao que as pessoas dizem ou não dizem; indiferente se você tem sucesso ou não tem sucesso; indiferente à autoridade. Agora, se você observar, você escuta que alguém está atirando, fazendo muito barulho com uma arma. Você pode muito facilmente se acostumar com isto; provavelmente você se acostumou com isto, e fica com um ouvido surdo – isso não é indiferença. A indiferença surge quando você ouve este barulho sem resistência, vai com esse barulho, é levado com esse barulho infinitamente. Então esse barulho não afeta você, não perverte você, não o torna indiferente. Então você ouve todos os ruídos do mundo – o ruído de seus filhos, de sua esposa, dos pássaros, o ruído da conversa fiada dos políticos – você ouve isto completamente com indiferença e, portanto, com compreensão.

– J. Krishnamurti Bombay 6th Public Talk 7th March 1962