Existem diferenças entre as pessoas e insistir nessas diferenças é perigoso

Esse texto abaixo é parte de outro mais completo que trata das atitudes na observação da mente na meditação, é um texto pequeno que funciona muito bem como um guia básico para a meditação. O curioso é que no item 11 ele trata de uma indicação que nos faz que é de não persistirmos nos contrastes, isto é, nas diferenças entre as pessoas, entre nós e os que nos cercam.

Diz o autor que devemos perceber mais as semelhanças que as diferenças e isso me recordou de um livro que estou lendo, do mesmo autor do famoso Minutos de Sabedoria, se chama Técnica da Mediunidade, é um livro espírita e notei que é muito parecida essa questão dos contrastes do texto abaixo com o que os espíritas chamam de “manter o pensamento elevado” . Claro que cada um mantém ou tenta manter seu pensamento elevado de uma forma, no entanto essa parece ser uma boa maneira já que paramos de nos comparar o que por sua vez inibe que sentimentos doentios surjam dessa comparação.

Segue o texto que menciono:

Não persista nos contrastes: Existem diferenças entre as pessoas e insistir nessas diferenças é perigoso. Caso isso não seja cuidadosamente tratado pode conduzir ao egoísmo. O pensamento humano comum está cheio de ganância, ciúmes e orgulho. Um homem vendo outro na rua pode imediatamente pensar: “Ele tem uma aparência melhor que a minha”. O resultado imediato é a inveja ou vergonha. Uma garota vendo outra pode pensar: “Eu sou mais bonita que ela”. O resultado imediato é orgulho. Este tipo de comparação é um hábito mental e conduz diretamente a sentimentos doentios tais como: ganância, inveja, orgulho, ciúmes e ódio. Muito embora façamos isso o tempo todo, isto é um estado mental não-habilidoso. Comparamos com os outros nossa aparência, nosso sucesso, nossas realizações, nossa saúde, posses ou QI, e tudo isso conduz ao mesmo estado: afastamento e barreiras entre as pessoas, sentimentos doentios. O trabalho do meditante é cancelar esses hábitos não habilidosos por meio de exames rigorosos, e substituí-los por outros. O meditante deve treinar a si mesmo, muito mais em perceber as semelhanças do que as diferenças. Deve centrar sua atenção naqueles fatores que são universais a toda vida, às coisas que o aproximem dos demais. Portanto, a comparação, caso exista, deve conduzir a sentimentos de afinidades ao invés de acarretar distanciamento.

Respirar é um processo universal. Todos os vertebrados respiram essencialmente do mesmo modo. De um jeito ou de outro, todos os seres vivos trocam gases com o meio ambiente. Esta é uma das razões de se escolher a respiração como foco de meditação.

O meditante deve explorar o processo da sua própria respiração como veículo para perceber seu inerente relacionamento com os demais seres vivos. Isto não significa fechar os olhos para todas as diferenças em torno de nós. As diferenças existem. Apenas significa que não enfatizamos os contrastes, e sim os fatores universais que temos em comum.

O procedimento recomendado é o seguinte:

Quando o meditante percebe qualquer objeto sensorial, não deve se fixar nele da maneira egoísta comum. É preferível examinar o próprio processo de percepção. Deve verificar o que aquele objeto faz com os seus sentidos e percepções. Deve observar as sensações que aparecem e as atividades mentais que delas resultam.

Deve notar os resultados que essas mudanças acarretam em sua própria consciência.

Ao observar todos esses fenômenos, deve-se dar conta da universalidade do que está vendo. Aquela percepção inicial acarretará sensações agradáveis, desagradáveis e neutras. Isto é um fenômeno universal. Ocorre na mente das outras pessoas do mesmo modo que ocorre na dele, e é preciso que ele veja isto claramente. Seguindo as sensações podem ocorrer várias reações. Pode sentir ganância, luxúria ou ciúmes. Pode sentir medo, preocupação, inquietude ou aborrecimento. Essas reações são universais. Apenas as percebe e então as generaliza. Deve perceber que essas reações são respostas humanas normais e podem vir à tona em qualquer um.

No início a prática desse modo de comparação talvez pareça forçada e artificial, porém não é menos natural do que aquilo que fazemos normalmente. Apenas não nos é familiar. Com a prática, esse padrão habitualmente substituirá nosso hábito normal de fazer comparações egoístas e com o tempo parecerá muito mais natural.

Como resultado, nos tornamos pessoas mais compreensíveis e não mais nos irritamos com as falhas alheias. Progredimos na direção da harmonia com todos os seres vivos.

do livro A Meditação da Plena Atenção – VENERÁVEL BHANTE HENEPOLA GUNARATANA

* Importante sempre lembrar que a observação pode ser feita com a mente calma e quieta, pode-se também observar quando está caótica, mas sempre lembrando a condição que se encontra já que é bem mais complicado do que quando estamos calmos.

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