Para observar claramente, é óbvio, devemos ser livres para olhar

Para observar claramente, é óbvio, devemos ser livres para olhar. Se alguém se apega às suas experiências, julgamentos e preconceitos particulares, então não é possível pensar com clareza. A crise do mundo que está bem à nossa frente exige, reclama que pensemos juntos de modo a podermos resolver o problema humano juntos, não de acordo com alguma pessoa em particular, com um determinado filósofo ou guru.
Estamos tentando observar juntos. É importante ter em mente, o tempo todo, que o conferencista está apenas observando algo que estamos examinando juntos. Não é uma coisa unilateral, mas, pelo contrário, estamos examinando em co-operação, fazendo juntos uma viagem e, assim, agindo juntos.
É muito importante entender que a nossa consciência não é a nossa consciência individual. A nossa consciência não é somente a consciência específica do grupo, da nacionalidade, e assim por diante, mas é também toda a agonia humana, o conflito, a miséria, a confusão e a dor. Estamos examinando juntos essa consciência humana, que é a nossa consciência; não a sua ou a minha, mas a nossa.
Um dos fatores exigidos para este exame é a capacidade da inteligência. Inteligência é a capacidade de discernir, de entender, de distinguir; é, também, a capacidade de observar, de armar tudo o que reunimos e agir a partir daí. Esse reunir, esse discernimento, essa observação podem ser preconceituosos e nega-se a inteligência quando há preconceito. Se vocês seguirem outra pessoa, a inteligência é negada; o seguir outra pessoa, conquanto ela seja nobre, nega a sua própria percepção, nega a sua própria observação – vocês estão apenas seguindo alguém que lhes dirá o que fazer, o que pensar. Se fizerem isso, então, a inteligência não existe, porque nisso não há nenhuma observação e, por conseguinte, nenhuma inteligência.

A inteligência exige a dúvida, a indagação, não ser impressionado por outros, pelo seu entusiasmo, pela sua energia. A inteligência exige que haja a observação impessoal. […]


(Krishnamurti – A Rede do Pensamento – Editora –
Cultrix – Págs – 29-30)

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