A necessidade de prática dualística

Por que precisamos de práticas dualísticas, como gerar mérito, para alcançar um estado que transcende a dualidade? Porque temos que começar de onde estamos. A verdadeira natureza de nossa mente é coberta por turbulência cármica causada por nosso apego a nós mesmos e nossos hábitos mentais negativos. “Agarrar-se a um self” refere-se à maneira como nos agarramos aos objetos mentais como realmente existentes, percebendo-os dualisticamente como sujeito e objeto. O aspecto de nossa mente que percebe dessa maneira é a mente conceitual. A mente conceitual e a verdadeira natureza da mente são como a superfície e as profundezas do oceano: a superfície é agitada com ondas lançadas pelo vento; embaixo dele está calmo e pacífico.

A maioria de nós não consegue vislumbrar as profundezas, nossa verdadeira natureza, porque nossa mente conceitual está constantemente produzindo turbulência. O apego a nós mesmos nos leva, como um pesadelo, a acreditar que estamos separados do mundo e uns dos outros. Isso desencadeia emoções negativas, de desejo e ansiedade a ciúme e agressão, que se transformam em palavras e ações prejudiciais.

Cada percepção dualística, cada pensamento, sentimento, palavra e ação negativos deixam uma impressão cármica negativa em nossa mente conceitual que nos isola de nossa verdadeira natureza. Por outro lado, as mentalidades positivas deixam marcas cármicas positivas que abrem nossa mente, afrouxam o apego ao eu e diminuem as barreiras à nossa verdadeira natureza.

Enquanto tivermos conceitos e emoções dualistas, o mundo será sólido para nós. Nosso sofrimento é muito real. As circunstâncias são importantes. Se nosso ambiente for caótico, será difícil encontrar tranquilidade. Se sentirmos paz e alegria, no entanto, seremos inspirados a gerar ainda mais paz e alegria. Então, tudo o que dissermos e fizermos serão palavras e atos de alegria e paz. Progressivamente, afrouxamos nosso apego a nós mesmos e, eventualmente, vislumbramos a natureza luminosa de nossa mente. Se aperfeiçoarmos essa compreensão, desenraizamos o apego a nós mesmos e nos tornamos totalmente despertos.

– Tulku Thondup Rinpoche

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