O ensinamento de Hui-neng é que, em vez de se tentar purificar ou esvaziar a mente, devemos simplesmente libertá-la – porque a mente não é para ser agarrada. Soltar a mente equivale também a abandonar a série de pensamentos e impressões (nien) que vêm e vão “na” mente, sem os reprimir, reter ou interferir com eles.
“Os pensamentos vêm e vão por si mesmos, pois através do uso da sabedoria não há bloqueio. Este é o samadhi de prajna e a libertação natural. Tal é a prática do “não pensamento” (wu-nien). Mas se não pensares em absolutamente nada, e imediatamente ordenares que os pensamentos cessem, isso equivale a ficares de pés e mãos atadas por um método, que tem o nome de visão obtusa.”
Acerca do modo usual de encarar a prática da meditação, disse:
“Concentrar-se na mente e contemplá-la até que se aquiete é uma doença, e não dhyana. Restringir o corpo, permanecendo sentado durante muito tempo – como pode isso ajudar a alcançar o Dharma? “
E ainda:
“Se começares a concentrar a mente na quietude, apenas conseguirás produzir uma quietude irreal… O que significa a palavra “meditação” (ts’o-ch’an)? Nesta escola, significa sem barreiras, sem obstáculos; está para lá de todas as situações objetivas, boas ou más. A palavra “sentado” (ts’o) significa não provocar pensamentos na mente.”
Allan Watts sobre Hui-neng