Tem esse pequeno livro que é uma boa indicação de leitura para o caminho e que fala justamente do caminhar se um cavaleiro que se vê preso em uma armadura, como nós. E para mim a lição mais importante do livro é a que está abaixo, de que o medo e a dúvida, ou o dragão do medo e da dúvida sempre retorna de vez em quando para nos testar. O trecho:
— Se você acredita que o Dragão do Medo e da Dúvida é real, você lhe dá poder para queimar suas calças e tudo mais — disse Esquilo.
— Eles estão certos — acrescentou Sam. — Você tem de voltar e encarar o dragão de uma vez por todas.
O cavaleiro sentiu-se encurralado. Eram três contra um. Ou melhor, eram dois e meio contra meio; pois a metade Sam do cavaleiro concordava com Esquilo e Rebecca, enquanto sua outra metade desejava permanecer no riacho. Enquanto o cavaleiro pelejava com sua coragem vacilante, ouviu Sam dizer:
— Deus deu ao homem coragem. A coragem dá Deus ao homem.
— Estou cansado de ficar decifrando o que as coisas querem dizer. Preferia permanecer aqui sentado neste riacho e relaxar.
— Olhe — Sam o encorajou —, se você encarar o dragão, existe uma possibilidade de que ele venha a destruí-lo, mas se não encará-lo, ele com certeza o destruirá.
— As decisões são simples de tomar, quando não há outra alternativa — disse o cavaleiro. Relutante, ele fez força para se pôr de pé, respirou fundo e começou a atravessar a ponte levadiça mais uma vez. O dragão olhou descrente para ele. Este era certamente um sujeito teimoso.
— Por aqui de novo? — resfolegou a fera.
— Bem, desta vez vou queimar você de verdade! Mas agora era um cavaleiro diferente que marchava em direção ao dragão — um que recitava, sem parar, “medo e dúvida são ilusões”.
O dragão despejou chamas gigantescas e crepitantes sobre o cavaleiro, vezes e vezes seguidas; contudo, por mais que o monstro tentasse e tentasse, não conseguia incendiá-lo. O cavaleiro continuava a se aproximar e o dragão se tornava cada vez menor, até que finalmente não era maior do que um sapo. Suas chamas se extinguiram, e ele começou a cuspir pequenas sementes sobre o cavaleiro. Mas estas sementes — as Sementes da Dúvida — também não o impediram de continuar. O dragão tornou-se ainda menor, enquanto o cavaleiro continuava a avançar determinadamente.
— Venci! — bradou o cavaleiro, vitoriosamente. O dragão mal podia falar:
— Talvez desta vez, mas voltarei vez após outra para me colocar no seu caminho.
Do O cavaleiro preso na armadura de Robert Fisher