Curiosidades e citações sobre os Navajos no livro O Poder do Mito

A sacralização da paisagem local é uma função fundamental da mitologia. Você vê isso claramente nos navajos, capazes de identificar uma montanha do norte, uma montanha do sul, uma montanha do leste, uma montanha do oeste e uma montanha do centro. Numa habitação navaja, a porta sempre está voltada para o leste. A lareira se localiza no centro, que se torna um centro cósmico, e a fumaça sobe para um buraco aberto no teto, de modo que o aroma do incenso se dirija diretamente às narinas dos deuses. A paisagem, o lugar de morada, se torna um ícone, uma figura sagrada. Onde quer que esteja, você estará conectado com a ordem cósmica. Observe uma pintura de areia navaja, verá que há sempre uma figura circundante – pode representar uma miragem, o arco íris, o que seja, mas haverá sempre uma figura circundante, aberta do lado leste, para que o espírito novo possa penetrar por ali. Quando o Buda se sentou sob a árvore, voltou sua face para o leste – a direção do sol nascente. (p. 104)

CAMPBELL: As pessoas reivindicam a terra criando sítios sagrados, mitologizando os animais e as plantas – elas investem a terra de poderes espirituais. A terra se torna uma espécie de templo, um lugar de meditação. Por exemplo, os navajos foram esplêndidos ao mitologizar os animais. Nas suas pinturas de areia você vê aquela quantidade de pequenos animais, cada um com seu valor próprio. Pois bem, esses animais não aparecem representados naturalisticamente. São estilizados. E a estilização se refere às suas características espirituais, não às meramente físicas. Existe uma grande mosca, por exemplo, que às vezes se aproximará e pousará em seu ombro, quando você estiver caminhando pelo deserto. Nos mitos navajos, ela é conhecida como Grande Mosca e também como Pequeno Vento. Ela sopra para os jovens heróis, quando estão sendo testados, as respostas a todas as questões formuladas pelos pais. A Grande Mosca é a voz do espírito sagrado, revelando a sabedoria escondida.
MOYERS: E qual é o propósito disso tudo?
CAMPBELL: Reivindicar a terra. Transformar a terra em que eles vivem num lugar espiritualmente relevante.
MOYERS: Então quando Moisés avistou a Terra Prometida, estava apenas fazendo o que outros líderes espirituais haviam feito por seus povos. Estava reivindicando a terra. (p. 106)

Ao diagramar uma mandala de você mesmo, você desenha um círculo e pensa nos diferentes sistemas de impulsos e de valores de sua vida. A seguir, você os compõe e procura descobrir onde está o seu centro. Fazer uma mandala exige disciplina para reunir todos os aspectos dispersos de sua vida, encontrar um centro e dirigir se a ele. Você tenta
harmonizar seu círculo com o círculo universal.
MOYERS: Ficar no centro?
CAMPBELL: Sim, no centro. Por exemplo, entre os índios navajos, as cerimônias de cura são realizadas através de pinturas de areia, das quais a maior parte são mandalas feitas no chão. A pessoa que deve ser curada movimenta se dentro da mandala como se estivesse se movendo num contexto mitológico, com o qual deverá identificar se; ela se identifica com o poder simbolizado. Essa associação de pinturas de areia com mandalas, e seu uso para fins de meditação, aparecem também no Tibete. Os monges tibetanos realizam pinturas de areia, desenhando imagens cósmicas para representar as forças dos poderes espirituais que operam em nossas vidas. (p. 236)

MOYERS: Gosto da idéia de que não é o destino que conta, mas a trajetória.
CAMPBELL: Sim. Como diz Karlfried Graf Dürckheim: “Quando você se lança numa jornada e o fim parece cada vez mais distante, então você percebe que o verdadeiro fim é o percurso”.
Os navajos têm aquela bela imagem do que eles chamam o caminho do pólen. O pólen é a fonte da vida; o caminho do pólen é o caminho para o centro.
Os navajos dizem:
“Oh, beleza diante de mim, beleza atrás de mim, beleza à minha direita, beleza à minha esquerda, beleza acima de mim, beleza abaixo de mim, estou no caminho do pólen”. (p. 247)

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