Seja como o Leão – Observando pensamentos – Dilgo Khyentse Rinpoche

Observando pensamentos e não sendo escravo deles

Quando você persegue seus pensamentos você é como o cachorro que corre atrás de um pedaço de pau; toda vez que é lançado você corre atrás dele. Ao invés disso, se você observar de onde seus pensamentos estão vindo, você verá que todo pensamento surge e desaparece no espaço criado por sua atenção, sem que se perca nos pensamentos. Seja como o leão que ao invés de correr atrás do pedaço de pau foca sua atenção em quem lançou. Só se joga um pedaço de pau para um leão uma única vez.

Be Like a Lion ~ Dilgo Khyentse Rinpoche


Para entende o que significa observar os pensamentos nesse contexto:

Quando alguém vai ao médico e diz: “Ouço uma voz dentro da minha cabeça”, provavelmente será encaminhado para um psiquiatra. De uma forma ou de outra, praticamente todas as pessoas ouvem uma voz, algumas vozes, o tempo todo dentro da cabeça. São os processos involuntários do pensar — que acreditamos que não podemos interromper —, manifestando-se como monólogos contínuos.

Você já deve ter cruzado na rua com pessoas “doidas” falando sem parar, ou resmungando coisas consigo mesmas. Isso não tem nada de diferente do que acontece com você e com outras pessoas “normais”, exceto que vocês não falam alto. A voz comenta, especula, julga, compara, desculpa, gosta, desgosta, etc. A voz não precisa ser relevante para a situação de cada momento, pois ela pode estar revivendo o passado recente ou remoto, ou ensaiando, ou imaginando possíveis situações futuras. Neste último caso, ela imagina sempre as coisas indo mal e com resultados desfavoráveis. É o que se chama de preocupação. Às vezes, essa trilha sonora é acompanhada de imagens ou de “filmes mentais”.

Mesmo que tenha alguma relação com o momento, a voz será interpretada em termos do passado. Isso acontece porque a voz pertence à mente condicionada, que é o resultado de toda a nossa história passada, bem como dos valores culturais coletivos que herdamos. Assim, vemos e julgamos o presente com os olhos do passado e construímos uma imagem totalmente distorcida. Não é raro que a voz se torne o pior inimigo de nós mesmos. Muitas pessoas vivem com um torturador em suas cabeças, que as atava e pune sem parar, drenando sua energia vital. Essa é a causa e muita angústia e infelicidade, assim como de doenças.

A boa notícia é que podemos nos libertar de nossas mentes. Essa é a única libertação verdadeira. Dê o primeiro passo nesse exato momento. Comece a prestar atenção ao que a voz diz, principalmente a padrões repetitivos de pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você escuta dentro da sua cabeça há anos. É isso que quero dizer com “observar o pensador”. É um outro modo de dizer o seguinte: ouça a voz dentro da sua cabeça, esteja lá presente, como uma testemunha.

Seja imparcial ao ouvir a voz, não julgue nada. Não julgue ou condene o que você ouve, porque fazer isso significaria que a mesma voz acabou de voltar pela porta dos fundos. Você logo perceberá: lá está a voz e aqui estou eu, ouvindo-a e observando-a. Sentir a própria presença não é um pensamento, é algo que surge de um ponto além da mente. EckhartTolle — O Poder do Agora


Perceber, sem condenar, sem julgar; observar pura e simplesmente, e sem escolha, olhar sem condenação, interpretação, comparação; nisso há grande beleza, e grande clareza na observação. Se dessa maneira vosê se observar sem escolha, então, nesse percebimento, existe atenção, nenhuma entidade existe como “observador”, nem “coisa observada”. Não há “observador” a olhar aquilo a que está observando. – Uma Nova Maneira de Agir – J. Krishnamurti

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