Bahiya Sutta

O Buda então disse:

“Então, Bahiya, você deve treinar assim: Com relação ao que é visto, haverá apenas o visto. Com relação ao que é ouvido, haverá apenas o ouvido. Com relação ao que é sentido, haverá apenas o sentido. Com relação ao que é conscientizado, haverá apenas o conscientizado. Assim é como você deve treinar. Quando com relação ao que é visto houver apenas o visto, ao que é ouvido houver apenas o ouvido, ao que é sentido houver apenas o sentido, ao que é conscientizado houver apenas o conscientizado, então, Bahiya, você não estará ‘com aquilo.’ Quando você não estiver ‘com aquilo,’ então você não estará ‘naquilo.’ Quando você não estiver ‘naquilo,’ então você não estará aqui, nem além e tampouco entre os dois. Isso em si mesmo é o fim do sofrimento.” [1]

Ouvindo essa explicação resumida do Dhamma do Abençoado, a mente de Bahiya exatamente naquele momento se libertou das impurezas através do desapego. Tendo exortado Bahiya com essa explicação resumida do Dhamma, o Abençoado partiu.

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O significado deste parágrafo pode ser interpretado com base no comentário da seguinte forma: “Com relação ao que é visto houver apenas o visto” significa que a consciência no olho vê apenas a forma como forma e não algum outro elemento como sendo permanente, etc. Da mesma forma com relação aos outros tipos de consciência. “Apenas” indica o limite, significando que a mente equivale à consciência no olho sem estar afetada pela cobiça, raiva ou delusão com relação ao objeto que foi contatado e sem adicionar as próprias idéias, conceitos e proliferações mentais. “Você não estará ‘com aquilo’”: você não será estimulado ‘com aquela’ cobiça, raiva, ou deludido ‘com aquela’ delusão. “Então você não estará ‘naquilo’”: não sendo estimulado pela cobiça, etc., então você não estará atado, agrilhoado, estabelecido naquilo que é visto, ouvido, sentido e conscientizado através das respectivas idéias e proliferações mentais. “Então você não estará aqui, nem além e tampouco entre os dois”: nem neste mundo e tampouco num mundo além, isto significa a experiência de nibbana que está além das coisas mundanas.

Uma tradução alternativa para este parágrafo sugerida por Ajaan Amaro, seria: “Quando com relação ao que é visto houver apenas o visto, ao que é ouvido houver apenas o ouvido, ao que é sentido houver apenas o sentido, ao que é conscientizado houver apenas o conscientizado, então, Bahiya, você deve perceber que ali não há nada, (objeto), que aqui não há nada, (sujeito). Quando você perceber que ali não há nada e que aqui não há nada, então você não estará localizado nem no mundo disto, nem no mundo daquilo, tampouco em nenhum lugar entre os dois.” Essa tradução alternativa mostra a dualidade e a não-dualidade.

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