Meditar Respirando – tipos de meditação

MEDITAR RESPIRANDO

Para fazer esta primeira meditação, procure uma posição confortável, mas não confortável demais, para não correr o risco de adormecer. Desaperte o cinto e use roupas folgadas. Não é preciso sentar-se numa posição de ioga para meditar: basta uma cadeira de espaldar reto e firme, ou qualquer lugar em que você possa sentar-se confortavelmente com as costas apoiadas. Sente-se numa posição ereta, mas relaxada. Mantenha a cabeça, o pescoço e a coluna vertebral alinhados, como se um grande balão de gás estivesse puxando sua cabeça para o alto. Manter a cabeça ereta ajuda a mente a permanecer alerta, o que é uma condição essencial na meditação.

Feche os olhos e mantenha-os fechados até o final da meditação… Muito bem, vamos começar…

Comece prestando atenção na sua respiração, no fluxo natural do ar que entra e sai por suas narinas, ou no seu ventre que sobe quando você inspira e desce quando expira. Observe todas as sensações ligadas à sua respiração… o movimento do ar.. o calor… tudo o que você sentir…

Não procure controlar a respiração… respire naturalmente prestando atenção ao ar que entra e sai… Se a respiração estiver superficial, deixe-a ficar assim.

Se ela for mais rápida ou mais lenta, deixe-a ficar do jeito que está… A própria respiração se regula… Enquanto medita, você só precisa prestar atenção nela… Quando você perceber que sua mente dispersou, traga-a suavemente de volta para a respiração. Durante essa meditação, os pensamentos, os planos, as lembranças, os sons, as sensações, tudo o que for diferente da sua respiração será considerado uma distração. Livre-se desses pensamentos. Tudo o que vier à sua mente desviando a atenção da respiração é, a partir de agora, uma distração.

Não se preocupe nem se culpe se sua mente se distrair com outros pensamentos… isso é natural. Cada vez que isso acontecer, basta trazer suavemente o foco da atenção para sua respiração… Tente prestar atenção em cada respiração durante todo o tempo que ela durar: toda a inspiração, toda a expiração…

Para ajudar sua mente a se concentrar na respiração, repita em silêncio uma palavra para cada inspiração e para cada expiração: se você se concentrar no ar que entra e sai das narinas diga em sua mente “dentro” para a inspiração e “fora” para a expiração. Se a concentração estiver no movimento de seu ventre, diga em silêncio “subindo” para a inspiração e “descendo” para a expiração.

Faça com que essas palavras sejam como uma suave música de fundo em sua mente… um murmúrio bem leve… Preste atenção no que você sente ao respirar, e não apenas na mera repetição das palavras. Tome consciência de cada inspiração e de cada expiração…

Quando sua mente for ocupada por outros pensamentos, traga-a suavemente de volta para sua respiração… Deixe a respiração seguir seu ritmo natural… Se ela for superficial ou profunda, lenta ou rápida, não interfira em seu ritmo… basta prestar atenção nela…

Observe toda a inspiração… toda a expiração… dentro… fora… subindo… descendo… Mantenha sua atenção alerta… Dentro… fora… subindo… descendo… Observe cada respiração… toda a respiração… Cada vez que sua mente se afastar da respiração, traga-a suavemente de volta…

Agora, pare um pouco… observe seu corpo… veja como ele se sente… como você se sente… Quando quiser, abra os olhos…

Essa é uma instrução de meditação usando a respiração

Agora veja outra que difere dessa:

O ABC da Respiração

27 de Setembro de 1957 do livro A Força Interior & Presentes de despedida de Ajaan Lee Dhammadharo

Há três partes importantes da meditação: o pensamento, o ato de estar ciente e a respiração. Todas essas três partes devem ser mantidas juntas em todos os momentos. Não deixe que nenhuma delas se solte uma das outras. “Pensar” refere-se a pensar “buddho” juntamente com a respiração. “Consciência” significa estar ciente da respiração à medida que ela entra e sai. Somente quando o pensamento e o ato de estar ciente são mantidos presos constantemente com a respiração você poderá dizer que está meditando. A inspiração e da expiração é a parte mais importante do corpo.

Em outras palavras, (1) é como a terra, que age como um suporte para todas as coisas no mundo. (2) É como vigas ou uma viga mestra que sustentam o assoalho e o mantem resistente. (3) É como uma mesa ou uma folha de papel: quando pensamos “bud-” com a respiração que entra, é como se nós esfregássemos nossa mão uma vez pela mesa; E quando pensamos “dho” com a respiração que sai, é como se esfregássemos a mesa mais uma vez.

Cada vez que esfregamos a mesa, boa parte da poeira certamente ficará aderida a nossa mão, por isso, se continuarmos esfregando-a para frente e para trás,a mesa ficará brilhante. Quando estiver bem brilhante, será tão clara que poderemos enxergar o nosso reflexo nela. Estes são os resultados que vem de nosso pensamento. Mas, se formos esfregando aleatoriamente, não seremos capazes de ver o nosso reflexo, nem mesmo num espelho e muito menos numa mesa.

Por outro lado, a respiração é como um pedaço de papel. Quando pensamos “bud-” com a respiração que entra, é como se pegássemos um lápis e escrevêssemos uma letra do alfabeto no papel. Se continuarmos fazendo isso, eventualmente seremos capazes de ler o que escrevemos. Mas se a nossa mente não ficar constantemente com a respiração, é como se escrevêssemos às vezes correta, e às vezes incorretamente. Se fossemos escrever cartas dessa maneira, elas ficariam ilegíveis e nem seriam cartas. Não importa o quão grande fosse o pedaço de papel, tudo seria uma bagunça. Não seríamos capazes de leras cartas que escrevemos ou ler o que elas supostamente dizem.

Porém, se estivermos atentos e pensarmos na respiração como um pedaço de papel, poderemos anotar qualquer mensagem que quisermos e saberemos por nós mesmos o que escrevemos. Por exemplo, pensar “bud-” é como colocar nossa caneta no papel. Isso nos dará conhecimento. Mesmo depois que acabamos de escrever,ainda nos beneficiaremos.

Mas, se não estivermos realmente empenhados em escrever, nossas cartas não serão cartas. Se desenharmos o retrato de uma pessoa, não será uma pessoa. Se desenharmos um animal, não será um animal.
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Logo que começamos a aprender a escrever, temos que usar giz porque é grande, fácil de escrever e fácil de apagar. Isto é como pensar “buddho”. Uma vez que avançamos em nossos estudos, começamos a usar lápis porque sua marca é clara e mais duradoura.

Por exemplo,a frase, “Onde está o Pai?”, é um pedaço de conhecimento. Se pudermos somente leras letras separadas, “O” ou “P”, isso não conta realmente como conhecimento.

Então jogamos fora o nosso giz. Em outras palavras, não precisamos repetir “buddho”. Usamos nossos poderes de avaliação (vicāra) para enxergar, enquanto respiramos: a respiração que entra está agradável? A respiração que sai está agradável? Que tipo de respiração é confortável? Que tipo de respiração é desconfortável?

Em seguida, corrigimos e ajustamos a respiração. Escolha qualquer maneira de respirar que pareça agradável e, em seguida, observe-a para ver se dá conforto ao corpo. Se isso acontecer, mantenha sensação de conforto constante e use-a.

Quando essa sensação for realmente agradável, os benefícios surgirão,aperfeiçoando o nosso conhecimento. Uma vez que obtivermos conhecimento, poderemos apagar as marcas de lápis em nossos cadernos, porque já enxergamos os benefícios que vem do que fizemos. Quando voltarmos para casa, poderemos levar o nosso conhecimento conosco e torná-lo nosso dever de casa. Poderemos fazê-lo sozinhos em casa; e quando ficarmos no monastério, poderemos mantê-lo constantemente.

Assim, a respiração é como um pedaço de papel,a mente é como uma pessoa, o conhecimento é como uma nota: isso é o suficiente para servir como nosso modelo padrão.

Se estivermos focados apenas nessas três coisas – o pensamento, o ato de estar ciente e a respiração – poderemos dar origem ao conhecimento dentro de nós mesmos, um conhecimento que não tem limites fixos e não pode, possivelmente, ser relatado a mais ninguém.