Como podemos ter consciência de que estamos meditando desta maneira?

A experiência meditativa possui muitas dimensões. Podemos ter uma experiência linda, muito satisfatória e agradável, mas esta experiência ainda é limitada, porque “pertence”‘ a um “eu”. Há um quadro de referência a partir do qual reagimos e, portanto, iremos perder a experiência. Deste modo, continuamos a ter nossos altos e baixos. Mais tarde, pode ser que a nossa experiência meditativa se expanda, tornando-se ilimitada: sem um ponto de referência, sem um centro. Tudo, sem exceção, faz parte da meditação. Isto pode levar ao terceiro estágio, onde não há distinções a serem feitas. Nós acordamos e vemos que a realidade e a verdade não são apenas unidimensionais, mas, como uma pedra preciosa, possuem muitas facetas. Este nível consiste na atenção pura.

Aluno: No nível da atenção pura, nós temos pensamentos mas estamos, de algum modo, além dos pensamentos?

Rinpoche: Estamos acima dos pensamentos, nos pensamentos, fora dos pensamentos. Podemos ainda ver os pensamentos, mas não nos envolvemos com eles. Eles apenas latem de mansinho — não mordem com muita força.

Aluno: Como podemos ter consciência de que estamos meditando desta maneira?

Rinpoche: É possível alguém gastar muitos anos praticando, sem fazer progressos substanciais. Mas podemos distinguir quando estamos meditando bem, pois nos níveis mais elevados de meditação não temos ciência de que estamos fazendo coisa alguma — não há movimento reflexivo. Enquanto houver paredes, enquanto houver parâmetros, vamos questionar e tentar medir o espaço. Mas, desde que entremos no espaço aberto da meditação, não podemos dividi-lo deste ou daquele modo. As perguntas já não se aplicam mais.

Quando começamos a meditar, é importante abrir mão de todos os pensamentos; libertarmo-nos do seu passado e do seu futuro. No espaço entre eles, encontramos a meditação. Mas, conforme nossa meditação se torna mais desenvolvida, uma qualidade
meditativa pode ser descoberta intrinsecamente dentro de cada pensamento e de cada emoção. A meditação, então, passa a ser uma parte natural de nós mesmos — uma experiência que podemos sustentar ao longo da nossa vida diária.

Tarthang Tulku em Expansão da Mente

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