Estamos bem conectados em rede, mas não estamos realmente vinculados. O relacionamento é substituído pelo contato. Não há nenhum toque. Vivemos, portanto, numa sociedade sem toque. Ao contrário do toque, o contato não cria proximidade. O relacionamento com o outro definha radicalmente quando o outro, que deveria ser um “você”, é rebaixado para um “isso”, para um objeto que apenas satisfaz minhas necessidades ou confirma meu ego. O outro, no qual me vejo refletido, perde sua alteridade. A crescente narcisização da sociedade leva à falta de laços e de toques e intensifica o medo.
Buyung Chul Han em O Espírito da Esperança