Abertura, num sentido último, significa compaixão

Aluno: Mas como fazemos isto: como aprendemos a pôr de lado o fato de sermos centrados em nós mesmos?

Rinpoche: Abertura, num sentido último, significa compaixão. Quanto mais aberto você se deixar ser, mais você será capaz de se comunicar com seus amigos, com sua família, com qualquer pessoa. Em vez de reprimir ou tentar evitar seus sentimentos, abra tanto quanto puder seu coração, seus sentimentos, toda a sua personalidade. Abra-se para seus níveis mais fundos de sentimentos.

Você pode fazer isto por meio do relaxamento, que é a chave da meditação.

Fique muito quieto, respire muito delicada e suavemente, e mantenha sua mente na presença da atenção pura. Uma vez que o relaxamento tenha se estabelecido deste modo, você irá curar seus sentimentos interiores. Então, um calor interior virá. Com este calor e este relaxamento interiores, você sentirá mais abertura e, com esta abertura, mais comunicação. Visto que o calor interior se transmuta em sabedoria, você será capaz de ver as situações das outras pessoas mais claramente, e, com essa clareza, poderá também aprender mais sobre você mesmo.

Você poderá abrir-se para sua natureza interior.

Quando seu coração se abre verdadeiramente, você pode se comunicar com todos os seres, com toda a existência. Pode ver a natureza do samsara. A abertura é a chave da compaixão, de modo que, quando você conseguir desenvolver uma abertura maior, o ego e a tendência a agarrar as coisas para si perdem sua forca. Quando estiver assim menos autocentrado, poderá ver que cada indivíduo tem que passar por este ciclo do samsara.

Você aprende a ter mais aceitação, e a compaixão cresce em profundidade e se torna mais abrangente.

A compaixão autêntica está além dos pensamentos, além do “ego”, livre de qualquer crença de que há um “eu” presente no ato da compaixão. A verdadeira compaixão, portanto, gera um sentido profundo de aceitação, e mesmo de perdão, com relação àqueles que nos causaram dor ou infelicidade. Quando somos sensíveis às fraquezas e egoísmos dos outros, percebemos que o mal que fazem é feito simplesmente por ignorância.

Tarthang Tulku em Expansão da Mente

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